Líder diz que PT votará pela prorrogação da CPMF

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) que assume nesta terça-fera como líder do partido na Câmara dos Deputados, afirmou hoje que a bancada da legenda votará favoravelmente à prorrogação da CPMF até dezembro de 2003 porque age de acordo com o interesse público. "A bancada será chamada de responsável", disse. "Não é justo tirar do próximo presidente, seja ele quem for, parte susbstancial do Orçamento, de quase R$ 20 bilhões, sem saber o que colocar no lugar."É a primeira vez que a sigla pretende votar a favor da CPMF, desde a cobrança do chamado "Imposto do Cheque", em 1997. Os petistas negam, porém, que a atitude seja oportunista, tomada de olho na possibilidade do pré-candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer a eleição. "Não é oportunismo, é responsabilidade", alegou Cunha, que assume a liderança no lugar do líder Walter Pinheiro (BA). "A eleição não está definida."Ele lembrou que, em outros anos a bancada petista - atualmente, composta por 59 deputados - ficou "bastante dividida" em relação ao tema. O então deputado Eduardo Jorge (SP) - hoje, secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo - comprou uma briga com a cúpula da agremiação por apoiar a CPMF. "Achamos que a CPMF é justa, mas adquire uma coloração de injustiça por estar vinculada a outros impostos ou taxas que já incidem sobre o bolso do cidadão", disse Cunha.Com este argumento, o PT quer vincular a CPMF à reforma tributária, reduzindo a alíquota, a partir de 2004, de 0,38% para 0,1%. "Entendemos que não dá para fazer reforma tributária no meio da eleição, até porque esse assunto se presta a muita demagogia", disse. "De qualquer forma, o PT ou qualquer outro partido que assumir o governo terá de fazer este debate." Da ala moderada do partido, o deputado do PT de São Paulo tem 43 anos e está no segundo mandato na Casa.

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