Líder de oposição a Morales pede asilo ao Brasil

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil está avaliando pedido de asilo diplomático apresentado nesta terça pelo senador oposicionista boliviano Roger Pinto à embaixada brasileira em La Paz. O político solicitou asilo sob o argumento de que é vítima de perseguição política e que, por isso, teme por sua vida.

RICARDO GOZZI E AYR ALISKI, Agência Estado

29 de maio de 2012 | 18h06

De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, Roger Pinto está abrigado na representação diplomática do País em La Paz e ali deve permanecer enquanto a chancelaria brasileira reúne informações e analisa o pedido.

O Itamaraty verifica se os elementos apresentados por Pinto atendem às normas internacionais que regem o asilo político. Não existe um prazo específico para o trâmite da análise.

Questionado sobre o assunto durante entrevista coletiva concedida nesta terça em Brasília ao término de uma reunião com o ministro de Exterior da Holanda, Uri Rosenthal, o chanceler Antonio Patriota limitou-se a dizer que o Itamaraty está "acompanhando a situação de perto".

Senador do partido conservador "Convergência Nacional" pelo departamento (Estado) de Pando, que faz fronteira com o Brasil, Roger Pinto lidera a bancada opositora ao governo do presidente Evo Morales no Parlamento da Bolívia. O político alega temer por sua vida e afirmou ser vítima de perseguição política.

"As pressões contra mim têm-se multiplicado e a perseguição se agravou. Tenho sido vítima de constantes ameaças de morte e minha família também tem sido ameaçada. A pressão hoje é insustentável e já não se trata da minha liberdade, mas sim da minha vida", argumentou Pinto em carta pública distribuída nesta terça-feira pela bancada opositora no Parlamento boliviano.

Na nota o senador boliviano acrescenta: "é por isso que decidi me refugiar em meu próprio país. E aqui ficarei, exigindo uma anistia ampla e irrestrita que permita a volta à pátria de centenas de refugiados que estão no exterior".

A decisão pelo pedido de asilo foi anunciada nesta terça pela manhã, em uma entrevista coletiva com concedida pelo deputado Adrian Oliva, também da Convergência Nacional. Pinto, no entanto, teria chegado à embaixada brasileira ontem.

Na carta lida por Oliva, Pinto alega ainda que, "por pensar de maneira diferente", está em "circunstâncias difíceis", o que o levou a buscar refúgio na Embaixada do Brasil.

"Não se trata da minha liberdade, mas de minha vida e da vida da minha família. O ódio político quer cobrar novas vítimas", alegou o senador na carta.

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