Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Líder de governo petista em MG diz que houve 'total' corrupção em gestão do PSDB

Segundo deputado estadual Durval Ângelo, são 'estarrecedoras' conclusões de auditoria realizada em contas de Aécio e Anastasia no Estado; tucano diz que adversário é leviano

MARCELO PORTELA, RICARDO GALHARDO E RICARDO DELLA COLETTA, Estadão Conteúdo

06 Fevereiro 2015 | 13h05

BELO HORIZONTE - O líder do governador de Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel, na Assembleia Legislativa do Estado, deputado Durval Ângelo (PT), afirmou nesta sexta-feira, 6, que a auditoria que está sendo realizada pelo Executivo já mostrou que houve "total" e "absoluta" corrupção nas gestões anteriores envolvendo "as mesmas empreiteiras da Operação Lava Jato". Desde 2003, quando o atual senador Aécio Neves (PSDB-MG) assumiu o governo, o grupo do tucano comandou o Estado e só deixou o Executivo com a eleição de Pimentel em outubro passado. Até março de 2014, o governador era Antonio Anastasia (PSDB), eleito para o Senado. 

Ao assumir o cargo em 1º de janeiro, o petista anunciou uma auditoria total nas contas do governo, que foi a principal vitrine usada pela campanha presidencial de Aécio no ano passado. A apuração, que é comandada pelo controlador-geral do Estado, o "xerife" Mário Spinelli, e tem prazo de 90 dias para ser concluída, é mantida em sigilo pelos integrantes do Executivo. "Eu, como líder do governo, não estou autorizado a divulgar as auditorias. Mas elas são estarrecedoras", afirmou Durval. Questionado se a apuração tem revelado que houve corrupção, foi categórico: "Tem total. Aqui (a corrupção) é absoluta".

O parlamentar chegou no fim da manhã para participar do encontro nacional do PT, que é realizado em um hotel em Belo Horizonte. Entre os participantes do evento está o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que na quinta-feira, 5, foi levado mediante ordem judicial para depor na Polícia Federal em São Paulo nas investigações da Operação Lava Jato, que investiga desvio de recursos da Petrobrás.

Na avaliação de Durval, mesmo que as auditorias em Minas comprovem a participação das empreiteiras envolvidas no caso da Petrobrás com eventual corrupção nas gestões tucanas no Estado, elas "não vão ter o mesmo destaque por ser o Aécio Neves e o PSDB". O Estado procurou a assessoria de Aécio, mas ainda não houve retorno. "Agora, o PT não é um partido que agrada as grandes elites deste País", ressaltou Durval Ângelo.

PSDB refuta. O presidente do PSDB mineiro, deputado federal Marcus Pestana, confirmou que o governo mineiro fez contratos com as empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, mas frisou que "é preciso separar o joio do trigo" e que aguarda o resultado da "tão falada auditoria" para responder "com firmeza cada informação equivocada". "O Brasil tem larga tradição no setor de construção civil pesada. Não é à toa que hidrelétricas, barragens e grandes obras mundo afora são realizadas por empreiteiras brasileiras. Todas as grandes obras envolvem as dez principais empreiteiras do País. Nos 12 anos de governo do PSDB em Minas nunca houve qualquer arguição sobre os padrões administrativos e éticos utilizados", afirmou.

Segundo Pestana, Durval Ângelo foi "leviano" ao acusar as gestões tucanas em Minas. De acordo com o tucano, o PT "está mergulhado no maior escândalo da história brasileira e um dos maiores escândalos do mundo" e o PSDB não pode ser analisado pela "régua e compasso ético" do adversário. "Somos diferentes. Na democracia é fundamental, no combate à corrupção, haver punição exemplar de todos aqueles que assaltam os cofres públicos. Por outro lado, é muito importante responsabilidade na divulgação de informações e na construção de opiniões", disse Pestana, que adiantou a intenção de interpelar judicialmente Durval Ângelo por causa das declarações. 

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