Líder acusa ala do PSB de praticar 'coronelismo'

Amaral diz que setor pernambucano age como se a legenda fosseespólio do ex-governador Eduardo Campos

JOÃO DOMINGOS, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2014 | 02h02

O presidente interino do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Roberto Amaral, acusa a ala pernambucana da legenda de agir no velho estilo do "coronelismo, enxada e voto" e de considerar a legenda espólio dos herdeiros políticos do ex-governador Eduardo Campos. A reação de Amaral ocorre depois de chegar a ele informações de que a direção do seu partido em Pernambuco pretende lançar um candidato à presidência da legenda, mesmo depois de garantir que o apoiaria para ocupar o cargo. A eleição está marcada para o próximo dia 13. Amaral representa a ala mais à esquerda do partido.

Por que o senhor diz que o PSB de Pernambuco usa o estilo "coronelismo, enxada e voto"?

Essa é uma característica da classe dominante pernambucana. Mesmo quando o engenho vai à falência e o filho do dono do senhor do engenho vai morar em Boa Viagem (famosa avenida do Recife), ele continua ideologicamente senhor de engenho. Isso tem consequências em tudo. No seu relacionamento com as pessoas, com as coisas, com as instituições. Ele fica preso ao engenho que já se acabou. Volta às formas tradicionais de dominação, que determinam as formas tradicionais de fazer política. Isso está sendo levado à eleição do PSB. Esse é o perigo que eu aponto. Poderá marcar profundamente o partido.

Quem é que adota esse estilo? O presidente do partido no Estado, Sileno Guedes? O governador João Lyra? O prefeito Geraldo Júlio?

É a direção do PSB de Pernambuco. É uma máquina, não são as pessoas.

A viúva Renata Campos está nesse meio? A família de Campos também?

Não estão, não.

Como o senhor prova a afirmação que faz, então?

Tenho um e-mail do dia 27 de agosto assinado por Sileno Guedes, presidente do partido no Estado, e pelo prefeito Geraldo Júlio, dizendo que apoiam minha candidatura. Mas pela imprensa vejo que usam também o estilo "esqueçam o que escrevi" e saem notas dizendo que não vão respeitar o que eles mesmos escreveram. Fazem um compromisso e depois o transformam em letra morta.

Por que o senhor está sendo atacado?

De uns 15 dias para cá, começaram a aparecer notinhas nos jornais que tentam me reduzir a um agente da presidente Dilma Rousseff e a agente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa tentativa busca a minha desqualificação ética e ideológica, como se a disputa pela presidência do partido fosse uma disputa de pessoas, quando se trata de uma disputa entre uma visão de esquerda contra uma visão conservadora. Represento os companheiros de partido querem conservar o PSB na esquerda.

O senhor lutou para que o PSB mantivesse a independência no 2º turno da campanha presidencial. Como o senhor viu a decisão que levou o partido a apoiar o tucano Aécio Neves?

O que o PSB vive hoje foi muito bem traduzido na reunião de quarta-feira nas palavras do deputado Glauber Braga (RJ), de que com aquele ato nós estávamos traindo a história do partido. Em outras palavras, quando o Partido Socialista Brasileiro teve a oportunidade de avançar, de se preparar para construir uma proposta de socialismo para o século 21, ele optou pelo patriarcalismo, ou, se quisermos, pelo coronelismo.

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