Lições de quem é para quem quer ser presidente

Bachelet dá dicas para Dilma

Clarissa Oliveira, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2009 | 00h00

Enquanto se prepara para disputar a eleição presidencial do ano que vem, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, procurou uma colega mais experiente para saber como é ser uma mulher no comando de um país. A aula ficou a cargo de Michelle Bachelet, primeira mulher a chegar à Presidência do Chile e que encerra seu mandato no início de 2010.Dilma não passou o dia todo ao lado de Bachelet. Em vez de participar de um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na companhia da chilena e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a chefe da Casa Civil passou a manhã discutindo assuntos da Petrobrás, ao participar por videoconferência de uma reunião do Conselho de Administração da empresa. Antes disso, passou pelo Hospital Sírio-Libanês para mais uma sessão de radioterapia contra o câncer diagnosticado em seu sistema linfático. Sobrou para a aula apenas o café da manhã, que as duas tomaram juntas no Hotel Mofarrej. "Houve todo um relato dela, que é muito importante, sobre o que é ser uma mulher num sistema político que vem sendo dominado por homens durante todo esse tempo", disse Dilma, ao deixar o encontro, enquanto Bachelet permanecia no hotel para uma série de entrevistas. Uma das lições se referia ao tratamento diferenciado que é dado a homens e mulheres quando se emocionam. "No caso do homem, por exemplo, ficar emocionado é uma coisa vista com ótimos olhos, ele é sensível e tal. Na mulher não é assim", contou. Dilma deixou claro que se identifica desde já com Bachelet. "Acho que é uma experiência importante para mim porque vivo algo similar." Em seguida, corrigiu. "Guardadas, é claro, as devidas proporções. Ela é presidente e eu sou ministra." A petista aproveitou para repetir sua tese de que o Brasil está pronto para ter uma mulher no Palácio do Planalto. "Eu sempre digo que o Brasil pode ter tudo. Teve um presidente metalúrgico, pode ter um presidente negro e pode ter uma presidenta." Mais tarde, ao lado de Lula, Bachelet disse que o fato de ser uma mulher na Presidência foi apenas um dos temas da conversa. Já Lula achou melhor ficar quieto. "Homem não se mete em conversa de mulher", avisou.

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