Lição do dia: a caneta de Dilma ainda tem tinta

Presidente opera nos últimos dias para tentar salvar seu governo da implosão iminente com sua maior arma, as nomeações

Marcelo de Moraes, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2015 | 12h38

A perspectiva real de abraçar a ingovernabilidade tirou a presidente Dilma Rousseff de sua inércia. Com o dólar na estratosfera e a economia indo para o vinagre, Dilma operou nos últimos dias para tentar salvar seu governo da implosão iminente. Usou sua maior arma, a caneta de nomeações, e ofereceu ao PMDB o que ele desejava: espaços generosos na nova equipe ministerial que está sendo montada. Em troca, recebe apoio do partido contra os projetos da chamada pauta bomba, que ameaçam as contas do País, e vê diminuir a chance de aprovação de seu impeachment.

Nessa negociação, o PMDB ganhará pastas robustas, como Saúde e Infraestrutura e manterá as fortes Agricultura, Minas e Energia e Turismo. Mais: Dilma sinalizou com a mudança nas relações políticas entre governo e partidos. Se preservou a cabeça do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, acenou aos partidos aliados que caberá a Ricardo Berzoini, provável futuro ministro da Secretaria de Governo, o papel de novo articulador político do Palácio do Planalto.

Além disso, fez um dos gestos mais esperados pela base aliada: reduziu espaço dos petistas na equipe ministerial. Apesar do ranger de dentes de seus companheiros de partido, a presidente topou desalojar o PT do Ministério da Saúde para reconquistar os pemedebistas.

Se o remédio adotado pelo governo é suficiente para salvar o doente, somente o tempo dirá. Dilma conseguiu, pelo menos, ganhar tempo na desesperada luta para se reerguer politicamente. Mas seus próximos gestos confirmarão ou não se o PMDB marchará ao seu lado ou se a abandonará, caso não tenha seus interesses atendidos.

O acordo fechado entre governo e PMDB serve como um importante recado para a oposição. No atual quadro de forças políticas do País, Dilma dependerá cada vez mais dos humores do PMDB. E seus adversários também precisarão do apoio do PMDB para fazer prosperar qualquer movimento para que a presidente deixe o posto antes do fim do mandato. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.