Libertados 200 trabalhadores escravos no sul do Pará

Fiscais do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e agentes da Polícia Federal libertaram hoje cerca de 200 trabalhadores encontrados em regime de semi-escravidão na fazenda São Roberto, em Santana do Araguaia, no sul do Pará. O dono da fazenda, o goiano Antonio Lucena Barros, também está envolvido na extração ilegal de mogno de terras indígenas naquela região. Vivendo em improvisados barracões de lona construídos no meio da mata, os trabalhadores não tinham alimentação ou água potável para beber. O fazendeiro também não assinava a carteira de trabalho e mantinha uma lista de dívidas contraídas pelos trabalhadores. De acordo com uma das coordenadoras do Grupo Móvel, Valderez Contente, a maioria dos trabalhadores foi contratada na região nordeste do país, principalmente nos Estados do Piauí e Maranhão. Os agentes federais tiveram muitos problemas para chegar à fazenda, localizada num área de difícil acesso. A estrada de terra foi fechada com troncos de madeira e galhos de árvore pelos empregados do fazendeiro. Os troncos tiveram de ser cortados com motosserras e carregados para as margens da estrada para desobstruir o caminho dos veículos da fiscalização. Na primeira investida dos agentes foram encontrados 104 homens. Após deixar a sede da fazenda, alguns trabalhadores revelaram que havia mais homens escondidos numa área de floresta próxima a um local que estava sendo desmatado para a formação de pasto. A ordem para que eles se escondessem da fiscalização foi dada por um gerente da fazenda. A denúncia foi comprovada e os fiscais conseguiram chegar ao local, resgatando mais de 80 trabalhadores que se juntaram aos 104 libertados anteriormente. Logo depois de o fazendeiro ter sido notificado sobre as irregularidades constatadas na São Roberto, os trabalhadores seguiram em vários caminhões fretados até a cidade de Redenção, onde ficarão alojados na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Lá, o fazendeiro Antonio Barros e seus advogados deverão comparecer para regularizar a situação dos empregados, pagando-lhes indenização, assinando as carteiras de trabalho e custeando a viagem de volta de cada um deles ao seu Estado de origem.

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