Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Liberalismo puro é a incivilização, diz Alckmin

Apontado como pré-candidato à Presidência no ano que vem, governador de São Paulo tenta resgatar os valores originais social-democratas do PSDB apostando no investimento em políticas sociais

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2017 | 14h10

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apontado como pré-candidato do PSDB à Presidência da República, disse, em encontro com o grupo tucano PSDB Esquerda Pra Valer, na quinta-feira, 19, que o “liberalismo completo” se contrapõe aos príncípios civilizatórios.

“O laissez-fair, o liberalismo completo, é a incivilização. Porque é o grande comer o pequeno. O rico esmaga o pobre”, disse o governador. 

+ Alckmin busca resgatar discurso 'social' tucano

Conforme o Estado noticiou, Alckmin tenta resgatar os valores originais social-democratas do PSDB apostando no investimento em políticas sociais. Os objetivos são se distinguir de pré-candidatos com discursos de direita como o prefeito João Doria (PSDB), o ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e herdar os votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso o petista seja impedido de disputar as eleições do ano que vem. 

No encontro da semana passada, o governador falou claramente em social-democracia e destacou a importância de buscar o equilíbrio entre a economia de mercado e os programas sociais. 

“Não tem economia moderna sem consumo nem salário ou renda. Não existe isso. Nós temos que ter um foco na inovação e outro na questão social. Aí vem a social-democracia”, disse Alckmin.

Segundo o governador, a política de livre mercado pura “contrapõe a questão civilizatória”.

“Você contrapõe a questão civilizatória porque você tem que ter regras de convício social. O grande não pode pisar em cima do pequeno. Tem que ter um mínimo de regras”, afirmou.

Depois de 13 anos à frente do governo de São Paulo, Alckmin iniciou um movimento calculado de volta às origens. De olho no voto petista em um eventual segundo turno presidencial sem a participação do ex-presidente Lula, o tucano tem reforçado o discurso socialdemocrata e intensificado programas e obras direcionados a eleitores mais pobres, que tradicionalmente não votariam em um candidato de direita.

A estratégia está alinhada com o perfil do eleitorado que Alckmin deseja ampliar seu alcance. Segundo a última pesquisa Datafolha, 43% das pessoas que revelam intenção em votar no governador paulista já se concentram na faixa de renda mais baixa, de até dois salários mínimos. 

Na semana passada, em meio ao polêmico anúncio feito por Doria de que passaria a produzir e distribuir aos pobres um granulado nutricional feito a partir de alimentos próximos do prazo de validade que seriam descartados pela indústria ou comércio - em ação criticada oficialmente pelo Conselho Regional de Nutricionistas de São Paulo -, militantes tucanos pró-Alckmin começaram a compartilhar, via WhatsApp, notícias sobre o Programa Bom Prato, que comemora 17 anos. O comentário geral era que enquanto o governo estadual serve pratos com arroz, feijão, salada, carne e fruta, por R$ 1, Doria dá “ração humana”.

O discurso socialdemocrata de Alckmin recebeu aplausos entusiasmados da platéia que contou com a presença do presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, os deputados federais Eduardo Barbosa (MG) e Otávio Leite (RJ), os deputados estaduais de São Paulo Antonio de Sousa Ramalho e Carlos Bezerra Jr., o prefeito de Aguaí Alexandre Araújo, a vereadora paulistana Patrícia Bezerra, e o ex-ministro do trabalho Walter Barelli, além do coordenador do movimento PSDB Esquerda Pra Valer, Fernando Guimarães.

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