Libaneses controlavam central telefônica clandestina

Dois libaneses que viviam entre Foz do Iguaçu (PR) e Cidade del Leste, no Paraguai, são responsáveis pela central telefônica clandestina descoberta ontem pela Polícia Federal de Foz. Um deles, Muhamad Hassan Atwi, 34 anos, foi preso ainda na noite de ontem e interrogado durante a madrugada e o outro, cujo nome é mantido em sigilo, encontra-se no Líbano, para onde viajou no final do mês passado, conforme apurou a Polícia Federal.O brasileiro que operava a central, Paulo César Caramori, 26 anos, também está preso. Ele afirmou, durante o interrogatório, que recebia R$ 1.200,00 por mês para trabalhar para os libaneses. Atwi disse que montou a central apenas para "uso próprio", mas a versão não convenceu o delegado federal que investiga o caso, Joaquim Mesquita."O montante exato dos telefonemas realizados pela central nos últimos meses ainda está sendo apurado, mas como em outros casos semelhantes deve chegar na casa dos R$ 100 mil", disse o delegado. A grande maioria das chamadas era para países do Oriente Médio.Mesquita adiantou que a polícia já investiga a possibilidade de ligação entre esta central e as outras seis descobertas nas duas últimas semanas, quatro em Maringá (PR), uma em Campo Grande (MS) e outra em Cascavel (PR), cidade também próxima à fronteira com o Paraguai e que está na jurisdição da Polícia Federal de Foz do Iguaçu."Queremos saber também quem eram os clientes destas centrais e para quem eles ligavam no exterior", disse o delegado. As investigações no exterior são realizadas pela Interpol, que já foi acionada pela Polícia Federal brasileira.Mesquita disse que a central descoberta ontem foi localizada a partir de investigações feitas em números de telefone encontrados na casa onde funcionava a central desmanchada há duas semanas, em Cascavel. Mas a existência de clientes comuns, segundo ele, não quer dizer que os donos das centrais pertenciam a um mesmo grupo."Por enquanto, todos os casos estão sendo tratados como estelionato puro e simples", afirmou Mesquita. "Ainda não há nenhum indício que autorize a hipótese de vinculação destas centrais com grupos organizados, e muito menos com o terrorismo internacional."

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