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Lewandowski evita a imprensa após aprovação de reajuste do Judiciário

Presidente da Corte, que vem negociando com o governo sobre o tema, deixou o plenário do Supremo por uma porta alternativa para não falar sobre o assunto

Talita Fernandes e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2015 | 15h57

Atualizado às 23h09

Brasília - Um dia após a aprovação pelo Senado do reajuste de até 78% para os servidores do Judiciário, o presidente da Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, não quis comentar a medida e deixou nesta quarta-feira, 1, o Plenário da Corte por uma porta oposta da que está habituado a usar, evitando os jornalistas. O gabinete da presidência do STF tampouco respondeu a perguntas enviadas pela reportagem.

Executivo e Judiciário vêm travando uma queda de braço que se estende por mais de dois meses para tratar do reajuste. Lewandowski tem atuado nas negociações com o governo sobre o tema e também vem sendo pressionado pelos servidores, que fizeram manifestações e começaram a paralisar os trabalhos de maneira pontual, ameaçando um movimento amplo de greve.

Na segunda-feira, o presidente do Supremo recebeu uma visita do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para tratar das negociações com o governo. Lewandowski também conversou com alguns senadores. 

Na quinta-feira passada, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, apresentou a Lewandowski a mesma proposta de reajuste dos servidores do Executivo, menor do que a pleiteada pelo funcionalismo do Judiciário. O valor apresentado seria de um reajuste de 21,3%, dividido em parcelas de 5,5% em 2016, 5,0% em 2017, 4,8% em 2018 e 4,5% em 2019.

Pressão. O presidente do Supremo disse que consultaria os servidores sobre a proposta do governo, mas sinalizou que a oferta, bem abaixo do pleiteado pela categoria, deveria ser rejeitada no Judiciário. A expectativa era de que o presidente do STF apresentasse ao governo uma proposta “alternativa”, capaz de atender a demanda dos servidores sem comprometer o ajuste fiscal. Contudo, a negociação acabou “atropelada” pela pressão dos servidores, que fez com que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), colocasse o tema em votação. 

Para interlocutores do governo no Congresso, faltou um pleito mais incisivo de Lewandowski a Renan, para que segurasse a votação. No entanto, nenhum dos dois quis se indispor com os servidores. Apesar da aprovação da proposta que era almejada pelo Judiciário, Barbosa já antecipou que a presidente Dilma Rousseff vetará o reajuste. 

Apesar do silêncio do presidente do STF, que tem conduzido as negociações de ajuste com o Executivo, outros ministros da Corte comentaram o reajuste. O recém-empossado Edson Fachin disse ser preciso “ir devagar com o andor” ao ser indagado sobre o aumento. “É um momento de mais cautela e obviamente de contenção. Naquilo que percebo, é preciso que haja de todos os segmentos nesse momento uma compreensão da situação das receitas públicas e dos cofres.”

O ministro Marco Aurélio Mello disse ser favorável a uma negociação entre os Poderes para se chegar a um consenso, mas reconheceu que houve “achatamento” dos salários dos servidores nos últimos anos e que eles “não podem ser tomados como bode expiatório”.

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