Levy no Ministério da Fazenda é 'adesão ao programa histórico' do PT, diz Carvalho

Ex-secretário do Tesouro integrará nova equipe econômica do governo Dilma, ao lado de Nelson Barbosa e Alexandre Tombini

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2014 | 12h38

BRASÍLIA - O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta quinta-feira, 27, que a ida de Joaquim Levy para o ministério da Fazenda é uma "adesão ao programa histórico" do PT no governo federal. A declaração de Carvalho foi feita para negar contradições cometidas pela presidente com o que ela pregou durante campanha eleitoral. Na época, Dilma acusou a adversária Marina Silva (PSB) de ser subserviente aos bancos, pois seu programa era coordenado por Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú. 


"É muito diferente a posição da presidenta Dilma Rousseff em relação aos seus auxiliares do que aquilo que se afigurava na campanha eleitoral. Vamos lembrar que a crítica à campanha da Marina era que era um programa inconsistente e que nitidamente tinha sido escrito pelo setor financeiro. É outra coisa, completamente diferente. Quando o Levy aceita vir para este governo, ele conhece este governo,  conhece a presidenta, é ele que está fazendo uma adesão ao nosso programa histórico", afirmou.


"O Joaquim não tem uma programa pessoal, ele tem uma trajetória de competência, de trabalho, insisto, ele trabalhou já no nascedouro do nosso programa econômico em 2003. Portanto, não cabe essa comparação. Não há nenhuma submissão da presidenta Dilma a nenhum ministro, nunca houve nem haverá."


Formado por Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central), o triunvirato que vai comandar a economia no segundo mandato de Dilma deve ser anunciado nesta quinta-feira, às 15h. A equipe vai conviver em regime de transição com o ministro demissionário da Fazenda, Guido Mantega.


Carvalho disse ainda que a oficialização dos nomes serve para assegurar a "credibilidade" e evitar uma "solução de continuidade" no ajuste fiscal. Carvalho destacou que "um ministro não é um presidente" e quem dá a cor do projeto de governo é a própria presidente.


"A presidenta sentiu a necessidade de já anunciar agora a equipe econômica exatamente nessa linha de assegurar a credibilidade e evitar uma solução de continuidade no processo da economia brasileira", disse Carvalho a jornalistas, antes de participar do seminário "Agenda Futura da Pesquisa em Participação Social", no Palácio do Planalto.


Para Carvalho, os ministros da área de economia possuem uma natureza diferente, já que lidam com uma "área absolutamente sensível". "Ela (Dilma) achou que era adequado fazer esse anúncio, ela sentiu que, para o bem do andamento da economia, valia a pena os ministros já começarem a fazer a transição", comentou.


Defesa. Ao comentar a indicação de Joaquim Levy para a Fazenda, Carvalho destacou que o atual executivo do Bradesco "foi um excelente secretário de Tesouro" no governo do presidente Lula e "fez parte de um processo vitorioso da economia". 


"Eu, sinceramente, só vejo com bons olhos a nomeação do Joaquim Levy. O que é importa é a prática dele, é a adesão dele ao projeto. E é evidente que, ao aceitar ser ministro desse projeto, ele está aderindo a esse projeto, à filosofia econômica desse projeto. O nome dele é importante, evidentemente, porque pela trajetória dele ele traz uma credibilidade, ele contribui com o nosso projeto", avaliou Carvalho.


Cor do projeto. Segundo Carvalho, "um ministro não é um presidente, não toma decisões autônomas". "Quem dá a cor do projeto é a presidenta e ela deixou claro na campanha eleitoral qual é o nosso projeto, deixou claro nos últimos quatro anos que é a continuidade desse projeto que é o crescimento com inclusão social, que é a distribuição de renda", disse.


"Falar em submissão da presidenta Dilma ao setor financeiro não cabe. Agora, nós somos realistas, sabemos que temos de ter credibilidade, temos de despertar interesses nos credores internacionais. Então, tem um equilíbrio que você faz, tem de governar um país em cima da realidade do mercado", observou. 

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