Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Levy é muito menos Judas e muito mais Cristo, diz Temer

Seguindo o argumento de Dilma em defesa do titular da Fazenda, vice-presidente afirma que ajuste fiscal 'parece uma coisa difícil' mas 'vai dar os melhores resultados'

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2015 | 16h42

Brasília - Depois de a presidente Dilma Rousseff dizer, em entrevista ao Estado que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não pode ser transformado em "Judas" por causa das medidas impopulares do ajuste fiscal, o vice-presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira, 8, que Levy é "muito menos Judas e muito mais Cristo". A atuação do ministro está na mira de setores do PT, que realiza um congresso de 11 a 14 de junho em Salvador (BA).

"Eu penso que o ajuste fiscal que o Levy está levando adiante vai representar exatamente isso: no primeiro momento parece uma coisa difícil, complicada, mas que vai dar os melhores resultados", afirmou Temer a jornalistas, ao chegar ao gabinete da Vice-Presidência.

"Ele (Levy) tem de ser tratado como Cristo, que sofreu muito, foi crucificado, mas teve uma vitória extraordinária na medida em que deixou um exemplo magnífico, um exemplo extraordinário para todo mundo", disse o vice-presidente.

Temer se reúne, às 19h30, com Levy, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e líderes da base no Senado para tratar do panorama de votações desta semana na Casa. Na quarta-feira, 10, deverá discutir com líderes da Câmara para tratar do projeto de lei que revê a política de desoneração da folha de pagamento. A votação dessa matéria é encarada pelo Planalto como o "Dia D" do ajuste fiscal.

Injustiça. Em entrevista exclusiva ao Estado, publicada nesta segunda, a presidente afirmou considerar "injustas" as críticas disparadas contra o ministro da Fazenda.

"Todo mundo aguenta. Eu acho injustas (as críticas a Levy) porque não é responsabilidade exclusiva dele. Não se pode fazer isso, criar um Judas. Isso é mais fácil. É bem típico e uma forma errada de resolver o problema", disse Dilma ao Estado.

Conforme informou o Estado na semana passada, a corrente Mensagem ao Partido, segunda maior força interna no PT, quer que o 5.º Congresso da legenda, aprove uma resolução cobrando mudanças na política econômica do Planalto. A tendência cobra a redução da taxa básica de juros e uma "reorientação imediata" dos rumos da economia.

Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula com outras correntes do PT a substituição das críticas mais duras ao ajuste fiscal e a Levy pela defesa de uma "agenda de desenvolvimento" que "crie esperança" no País. 

As discussões envolvendo o congresso do PT estão sendo acompanhadas com apreensão pelo Palácio do Planalto, que quer a todo custo virar a página do ajuste fiscal e emplacar uma agenda positiva para a presidente Dilma Rousseff reverter o desânimo com os rumos da economia e resgatar sua popularidade.

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