Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Levy cobra de Dilma apoio para garantir superávit em 2016

Ministro da Fazenda está incomodado com o que tem chamado de 'sinais trocados' na condução da política fiscal

Adriana Fernandes e João Villaverde, O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2015 | 17h10

Brasília - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quer ver na prática o apoio dado na quarta pela presidente Dilma Rousseff em manifestação pública de desagravo. Levy está incomodado com o que tem chamado de "sinais trocados" na condução da política fiscal. Segundo apurou o Broadcast, o ministro entende que a política fiscal "precisa ter uma cara só", sem mostrar contradições. "O grande problema é a política fiscal ter a cara de outro", disse uma fonte do governo. As ações da presidente têm que ser para reforçar o objetivo do governo, que é perseguir o superávit primário de 0,15% do PIB neste ano e de 0,7% do PIB em 2016. 

Nos últimos dias, a defesa do esforço fiscal em 2016 parece ter "saído de moda", na avaliação do ministro, segundo interlocutores. Na quarta, a presidente deixou claro que o governo vai alterar a proposta de orçamento, enviado na segunda-feira com um déficit de R$ 30,5 bilhões ao Congresso. Esse é exatamente o desejo de Levy, que espera "consolidar" uma proposta orçamentária que indique, por meio de corte de gastos e eventuais aumentos de arrecadação, que a meta de 0,7% do PIB do ano que vem será atingida. 

Segundo fontes da área econômica, o ministro da Fazenda não pode ficar recebendo tiroteio a todo momento, principalmente no momento atual, de grave crise política e risco de perda do grau de investimento do Brasil. "É preciso de ações, de 'policy'", disse uma fonte.

Levy cancelou viagem a Turquia, onde participaria de encontro do G-20, para reunir-se com Dilma e os ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Por causa da percepção, pelo mercado financeiro, de que Levy - considerado uma "âncora" positiva no governo - tinha se enfraquecido nos últimos dias, o dólar disparou desde segunda-feira, atingindo nesta quinta a máxima de R$ 3,81, a mais alta cotação em 12 anos. A última vez que o dólar chegou próximo a essa cotação o presidente ainda era Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e havia um temor nos mercados quanto a política econômica que seria adotada pelo então candidato favorito nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva. A relação com 2002, tem sido usada por parte da equipe econômica para destacar a deterioração dos mercados nos últimos dias.

As declarações do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na quarta foram muito bem recebidas por interlocutores de Levy. "Parecia que era o Levy que estava falando", comentou uma fonte, em referência ao posicionamento de Calheiros, que destacou que o Orçamento precisava contar com mais cortes de gastos federais e que não bastava, ao governo, aumentar impostos para fechar suas contas. As declarações do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) dadas hoje ao Broadcast também foram bem recebidas. Eunício é um braço direito do vice Michel Temer (PMDB) e destacou em entrevista que o partido não é contrário a Levy e nem ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. 

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