Lessa é indiciado pela PF na Operação Navalha

Ex-governador e mais 6 acusados respondem por formação de quadrilha, peculato e fraude

Ricardo Rodrigues, especial para o Estado,

27 de outubro de 2010 | 11h56

MACEIÓ - O ex-governador e candidato ao governo de Alagoas Ronaldo Lessa (PDT) foi indiciado pela Polícia Federal de Alagoas no inquérito que apura o desvio de R$ 14 milhões das obras da macrodrenagem do Distrito Industrial de Maceió. Esses valores atualizados pela taxa básica Selic chegariam a R$ 46 milhões.

 

Também foram indiciados o ex-governador Manoel Gomes de Barros e o empresário Zuleido Veras, proprietário da Construtora Gautama, responsável pelas obras de macrodrenagem, que teriam sido superfaturadas. Outras três pessoas também teriam sido indiciadas, mas os nomes não foram divulgados.

 

O indiciamento dos seis foi confirmado hoje pela assessoria de imprensa da PF em Alagoas. Lessa e demais indiciados foram indiciados pelos crimes de fraude em licitação, peculato, formação de quadrilha e crime ambiental. O indiciamento aconteceu de forma indireta, já que os acusados da fraude não compareceram aos depoimentos marcados para a semana passada na Polícia Federal.

 

De acordo com o delegado Felipe Vasconcelos Correia, o inquérito 051/2009 foi concluído e encaminhado à 2ª Vara da Justiça Federal, que deverá notificar os envolvidos. O inquérito será levado da Corregedoria da Justiça Federal para o Ministério Público Federal.

 

Para o advogado de Lessa, José Fragoso, o indiciamento do ex-governador não significa nada. Fragoso disse ainda que seu cliente só vai se pronunciar depois que o Ministério Público (MP) oferecer denúncia. Ele disse ainda que estão fazendo "esse carnaval todo" com o indiciamento de Lessa, porque o ex-governador disputa o segundo turno das eleições em Alagoas, com o atual governador Teotônio Vilela Filho (PSDB).

 

No guia eleitoral, o atual e o ex-governador trocam acusações sobre o envolvimento de cada um com a Operação Navalha. Lessa acusa Viela de responder na Justiça a denúncia de que teria recebido R$ 500 mil da Construtora Gautama, por ter facilitado a aprovação de emendas para as obras da macrodrenagem. Já Vilela diz que Lessa é quem está até o pescoço envolvido com o superfaturamento das obras.

 

As irregularidades nas obras da macrodrenagem foram constatadas pela PF durante a 'Operação Navalha', deflagrada em 2007 e Alagoas e outros Estados da Federação. Na época, Lessa era governador de Alagoas e estava no seu segundo mandato. Quando as obras foram iniciadas, o Estado era governador por Manoel Gomes de Barros, que foi sucedido por Lessa.

 

Segundo o advogado Fragoso, apesar da PF ter indiciado os acusados, caberá à Justiça Federal e ao Ministério Público Federal decidirem a culpabilidade de cada um. "A partir de agora, a Justiça avalia se as informações procedem e aciona o MP se posicione a respeito do caso. Só assim, a Instituição deve oferecer denúncia, caso concorde com o que foi proposto pela Polícia Federal", explicou.

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