Lerner oferece atestado de 'não lernista' a candidatos ao governo do PR

'Beto Richa, não precisa jurar que não é lernista; Osmar Dias, também não', afirmou o ex-governador do Estado

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2010 | 14h41

CURITIBA O ex-governador do Paraná Jaime Lerner reagiu com humor às tentativas dos dois principais candidatos ao governo do Estado, Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT), de evitar qualquer ligação de seus nomes ao dele, apesar de as duas campanhas abrigarem antigos aliados de Lerner. "Beto Richa, não precisa jurar que não é lernista; Osmar Dias, também não", aconselhou o ex-governador em uma nota. "Vou facilitar a vida de vocês e de seus marqueteiros. Estou emitindo atestados de 'não lernistas'. Podem apanhá-los na chapelaria."

 

A preocupação dos candidatos é, sobretudo, em relação às privatizações promovidas durante o governo de Lerner. Eles temem que o eleitorado venha a associá-los a novas vendas de empresas públicas e à manutenção dos atuais contratos com as concessionárias de rodovias, que geram uma tarifa de pedágio considerada excessiva. "Sempre que chega o período eleitoral, a ordem entre os candidatos é de se descolar de qualquer político ou coisa que seja polêmica ou que tenha reações contrárias, sem levar em conta todas as coisas positivas às quais esses políticos também se associaram", reforçou Lerner.

 

O ex-governador e ex-prefeito da capital paranaense disse que estabeleceu a chapelaria como local para pegar os atestados, porque "certamente o chapéu de Curitiba fornecerá muitos votos". "Herdou-se uma cidade que é referência no mundo todo, apesar de todas as suas carências e mazelas", analisou. "E ao Estado que se candidatam também creio ter dado alguma contribuição, como a onda de industrialização que multiplicou empregos e arrecadação."

 

Afastado da política partidária e dedicando-se a viagens internacionais a serviço de seu escritório de arquitetura e urbanismo, Lerner destacou, na nota, esperar que o atestado de "não lernista" possa ajudar os "ilustres candidatos" a aproveitarem melhor a campanha, apresentando "mais propostas e menos sofismas". "E que tenham a coerência de pedir aos lernistas que não votem neles", afirmou.

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