Leonel Brizola morre aos 82 anos

O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, morreu na noite desta segunda-feira, aos 82 anos, de enfarte. Ele estava internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, bairro onde morava. Brizola tinha uma infecção pulmonar e foi submetido a uma bateria de exames. Por volta das 18 horas, quando já estava liberado, o ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul teve uma parada cardiorrespiratória e foi transferido para a emergência, onde recebeu sedativos. Os médicos, então, passaram a lutar parareanimá-lo, mas Brizola não reagiu. A governadora Rosinha Matheusdecretou luto oficial de três dias no Estado.O diretor da Unidade Cárdio-Intensiva do São Lucas, Marcos Batista,informou que a morte de Brizola ocorreu às 21h20. O médico contou quedurante a tentativa de reanimar o ex-governador, ele recebeu ummarcapasso. Ele confirmou a causa oficial da morte: enfarto agudo domiocárdio. Os parentes de Brizola presentes não falaram com a imprensa.Logo que soube da morte de Brizola, Rosinha Matheus abandonou olançamento do filme Pelé Eterno, no Theatro Municipal, no centro, eseguiu para o hospital. ?Brizola, para nossa família, foi muito mais doque um político. Foi um amigo, orientador, alguém que nos ensinou osvalores positivos da política, como o amor pelo Brasil e pelo seupovo?, disse ela.Seu marido, o secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, aacompanhou: ?Fiquei surpreso porque ontem à noite estive na casa doBrizola com Rosinha, Clarissa (filha de Garotinho), Moreira Franco, eficamos mais de duas horas conversando. Ele estava no quarto deitado,com soro, mas muito animado com o futuro do Brasil. Foi uma conversamuito emotiva, muito emblemática, quase uma reunião de despedida.?Garotinho contou que a reunião durou das 18 horas às 20h45. Ele aindaconversou com o médico de Brizola, que estava de saída. Segundo osecretário, o médico disse que Brizola tinha passado muito frio noUruguai e se sentiu resfriado. O médico relatou ainda que oex-governador cometera extravagâncias alimentares. ?Ele tinha comidomocotó e parrija, uma comida típica gaúcha. Aí teve uma indisposição?,disse Garotinho.ChoroAo chegar ao São Lucas, Rosinha chorava muito. Hoje no PMDB, Garotinhoganhou projeção na política fluminense na legenda criada por Brizola,ao eleger-se governador do Estado em 1998 em coligação com o PT. Apósanos de rompimento, os antigos aliados estavam em fase dereaproximação.O deputado federal Moreira Franco (PMDB), ex-adversário político deLeonel Brizola, a quem derrotou na eleição para o governo do Estado de1986, esteve no hospital. Na saída, revelou que tivera uma reunião navéspera na casa do presidente do PDT, junto com Rosinha e Garotinho.?Ele já estava de cama, mas muito entusiasmado. Conversamos muito sobreas eleições municipais.?CiepsO arquiteto Oscar Niemeyer, que apesar de comunista sempre participoudas campanhas políticas de Brizola e é o autor dos dois maioresprojetos de seus governos, os Centros Integrados de Educação Popular(Cieps) e o Sambódromo, disse que a morte do ex-governador é uma ?perdamuito difícil?. ?Era um brasileiro nacionalista, que sempre sonhou comum País livre e independente.?Líder carismático e especialmente querido pela população mais pobre doRio, Brizola atraiu dezenas de pessoas para os arredores do HospitalSão Lucas logo que as emissoras de rádio e televisão anunciaram suainternação. Um grupo com bandeiras do PDT gritava que as favelas do Rioestavam de luto.O site do PDT já no fim da noite homenageava o líder. ?Brizola, sua mensagem permanece?, anunciava o partido, sobre uma foto na qual oex-governador aparece com expressão séria sobre fundo vermelho. Aassessoria de imprensa do PDT informou que o velório será no PalácioGuanabara, sede do governo do Estado, a convite de Rosinha. A famíliapretende que o corpo seja levado, em cortejo, até um Ciep. A previsão éde que o enterro seja Quarta-feira, em São Borja, no Rio Grande do Sul, nojazigo da família, ao lado de sua mulher, dona Neusa, que morreu em1993. Simpatizante do ex-presidente Getúlio Vargas, Brizola ingressou no PTB em 1945. Seu primeiro cargo eletivo foi de deputado estadual, no RioGrande do Sul, em 1947. Em 1954, foi eleito deputado federal. No anoseguinte, tornou-se prefeito de Porto Alegre. Em 1958, governador doEstado. No ano de 1962, foi o deputado federal mais votado do País peloantigo Estado da Guanabara, com 269 mil votos. Com o regime militar, em1964, exilou-se no Uruguai, retornando ao País em 1979 com a anistia.Foi eleito governador do Rio em 1982 e 1990. Disputou duas eleiçõespresidenciais, em 1989 e 1994, perdendo ambas.

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