Leonardo Bandarra e Deborah Guerner são afastados pelo Ministério Público

Promotores de Justiça são suspeitos num esquema de corrupção no Distrito Federal revelado pela Operação Caixa de Pandora

Mariângela Gallucci

13 Dezembro 2010 | 23h51

BRASÍLIA - O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) determinou ontem por unanimidade o afastamento por 120 dias dos promotores de Justiça do Distrito Federal Leonardo Bandarra e Deborah Guerner. Eles são investigados por suspeita de envolvimento num esquema de corrupção no Distrito Federal revelado pela Operação Caixa de Pandora, que levou à prisão o então governador, José Roberto Arruda.

A maioria dos integrantes do CNMP concluiu que o afastamento era necessário para evitar a perturbação funcional e o acirramento de ânimos no Ministério Público do Distrito Federal. Durante o período de afastamento, os dois receberão salários integrais. Mas não poderão usar a estrutura do Ministério Público, ou seja, não poderão utilizar assessores, frequentar gabinetes e usar carro oficial. "Entendemos que os indícios eram suficientes para recomendar o afastamento", afirmou o presidente do CNMP, Roberto Gurgel.

Os conselheiros também resolveram prorrogar por 30 dias o prazo dos trabalhos de uma comissão encarregada de apurar os fatos. O conselho rejeitou um pedido dos advogados de Deborah Guerner para que a promotora fosse submetida a avaliação de uma junta médica a fim de constatar se ela tem sanidade mental para continuar a exercer a sua função ou se deve ser aposentada por invalidez.

Os integrantes do CNMP decidiram ainda incluir no procedimento novas provas que foram colhidas recentemente, inclusive depoimentos. A advogada de Bandarra, Gabriela Benfica, afirmou que estava ocorrendo um pré-julgamento.

Em novembro foram revelados vídeos com suspeitas da ligação existente entre Bandarra e Deborah Guerner. Os vídeos eram do circuito interno de segurança da casa da promotora e mostraram que Bandarra frequentava o local.

“São gravações que revelam fatos gravíssimos”, afirmou o conselheiro Bruno Dantas. “São fatos extremamente graves e anômalos”, disse o conselheiro Mario Bonsaglia. A sessão de ontem demorou cerca de 8 horas e foi assistida pessoalmente por Bandarra, que até recentemente era procurador-geral de Justiça do Distrito Federal.

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