Lentidão marca apuração do caso Eletronuclear

A análise de materiais apreendidos em operações e as investigações sobre pessoas citadas e que ainda não foram denunciadas à Justiça emperram pela quantidade insuficiente de agentes e procuradores

Idiana Tomazelli, Marina Sallowicz e Constança Rezende / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2016 | 05h00

Em contraste com a força-tarefa de procuradores e agentes da Polícia Federal em Curitiba para cuidar da Operação Lava Jato, os casos desmembrados pelo Supremo Tribunal Federal e enviados à Justiça Federal do Rio de Janeiro não contam com a mesma estrutura e, por isso, tramitam com morosidade.

A análise de materiais apreendidos em operações e as investigações sobre pessoas citadas e que ainda não foram denunciadas à Justiça emperram diante da quantidade insuficiente de agentes e procuradores.

Um exemplo é o material apreendido na casa de Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear acusado de ter recebido propina em um esquema envolvendo as obras da usina nuclear de Angra 3. O executivo foi detido em julho do ano passado e hoje está em prisão domiciliar.

O material recolhido no apartamento de Pinheiro da Silva chegou ao Rio em novembro de 2015, mas só na semana passada a análise foi concluída, parcialmente. Os agentes da PF que se debruçavam sobre o conteúdo das mídias eletrônicas interromperam o trabalho quando encontraram menções à presidente Dilma Rousseff. Como ela tem foro privilegiado, o material foi remetido ao STF.

A investigação sobre a Eletronuclear foi enviada à Justiça Federal no Rio por decisão do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF. A ação começou a andar em novembro passado, na 7.ª Vara Federal Criminal, e está na fase final. Os 14 réus do processo foram ouvidos ao longo de abril, entre eles Pinheiro da Silva. A sentença do caso é aguardada para junho.

Insuficiente. Enquanto a força-tarefa em Curitiba tem 12 procuradores do Ministério Público Federal, a ação que corre no Rio foi distribuída a um único procurador, Lauro Coelho Junior. Ciente da grandeza e da importância do caso, ele escalou dois colegas para o auxiliarem, Fernando José Aguiar de Oliveira e Thiago Lemos de Andrade. Na PF, um delegado e três agentes atuam no caso.

Profissionais próximos às investigações contam que o número de policiais federais e procuradores é insuficiente diante da quantidade de material já acumulado e que deve ser analisado.

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