Lembo promete dar continuidade a projetos de Alckmin

A administração pública será uma continuação da gestão do ex-governador Geraldo Alckmin, prometeu o governador Cláudio Lembo durante entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura. Ele disse que não há tempo nem motivo para alterar os projetos já implementados pelo ex-governador, candidato do PSDB à Presidência da República. "Há um processo administrativo implantado de muito boa qualidade", opinou o presidente do PFL paulista. Ele lembrou que os debates sobre a construção do Rodoanel já duram mais de quatro anos. "Portanto, não se tem tempo de implantar coisas rápidas. Se Deus quiser - e a Justiça permitir - vamos implantar, na verdade, iniciar o trecho Sul, do Rodoanel agora em abril."Lembo criticou a promiscuidade entre os partidos e a máquina administrativa que, segundo ele, ocorre no Brasil e prometeu que essa diferenciação será uma das marcas de seu governo. "O grande problema do Brasil - e isso se vê muito no governo federal - é a integração da máquina administrativa, que é perene e permite que a democracia prossiga, com o jogo eleitoral. Ou mais que isso, com um partido político", alfinetou o governador paulista. "Eu vou fazer com que haja um muro de divisão muito clara entre partido político e máquina administrativa."Sobre a Febem, um dos calcanhares-de-aquiles do governo Alckmin, o governador disse que a questão dos menores não é simples de ser resolvida. "A Febem é um problema social dos mais graves", enfatizou. Para evitar a promiscuidade existente nas grandes unidades, optou-se por construir unidades menores para até 40 internos, o que está em fase de implementação em todo o Estado. Segundo ele, a receptividade dos municípios para a construção dessas unidades foi muito boa, com exceção das cidades de Osasco, Suzano e Guarulhos, todas governadas pelo PT. "É muito interessante que alguém que pregava uma visão social ampla seja contrário à recuperação dos menores", criticou.PFLLembo disse que o governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo deverão dar uma maior presença para o PFL nos meios de comunicação, importante em ano eleitoral. E ao ser perguntado se o partido pretende algum dia lançar candidato próprio ao governo de São Paulo, foi enfático. "Quando for oportuno e as condições se mostrarem favoráveis teremos candidato próprio." "Porém, se for melhor ter um candidato de boa estrutura ´mental´, como é o caso, por exemplo, do futuro candidato do PSDB, José Serra, nós ficamos ligados a outro partido", elogiou. "E não vejo nenhum mal nisso."O governador não confirmou se o PFL completaria a chapa da provável candidatura de José Serra ao Estado. "É possível, como é possível fazer uma grande coligação com outros partidos, e aí nós podemos ter a flexibilidade de analisar outras posições na grande chapa.". Mas concordou em apontar o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, como eventual candidato a vice. "Eu sou um defensor do doutor Guilherme porque ele é um liberal e tem uma forte batalha pela diminuição da carga tributária, que é de 40% do PIB", enfatizou. No plano federal, lançou o nome do senador José Jorge (PFL-PE). "É um engenheiro e estatístico de raiz popular."Cavalo-de-batalhaO atual governador procurou minimizar as denúncias que envolvem o antecessor, Geraldo Alckmin, que serão investigadas pelo Ministério Público. Sobre a denúncia de que a ex-primeira dama Lu Alckmin teria recebido 400 vestidos de presente, ele disse que essa prática de mostrar modelos de estilistas é comum no mundo inteiro. "Eu acho razoável que uma jovem senhora queira exibir a moda paulista e brasileira", admitiu Lembo. "Está se fazendo um cavalo-de-batalha por algo que não tem gravidade moral e ética profunda."

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