Lembo diz que foco de seu governo será a capital

O governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), anunciou que deverá concentrar os esforços de seu governo na capital paulista, que é governada pelo também pefelista Gilberto Kassab. "Eu conheço todo o Estado razoavelmente e a região mais deprimida socialmente é a capital", justificou o governador durante entrevista ao programa "Canal Livre", da TV Bandeirantes. "Eu quero me dedicar, junto com o prefeito Gilberto Kassab a atos na capital de São Paulo", sentenciou, lembrando dos convênios já firmados para a revitalização das marginais e da Avenida dos Bandeirantes. Questionado se os moradores do interior não ficariam insatisfeitos com a situação, respondeu: "O interior está bastante estruturado, está bem equilibrado socialmente."Lembo queixou-se da falta de atenção do governo federal com o Estado de São Paulo e defendeu a integração entre os três níveis de governo: União, Estado e Prefeitura paulistana. "Atualmente São Paulo tem sofrido muito, porque o governo federal não tem feito transferências de verbas para São Paulo", reclamou o governador. "Nós não temos transferências de verbas no sistema penitenciário, não temos para a Febem, não temos para o sistema rodoviário, para nada", prosseguiu. "São Paulo está isolado na União." Ele também falou sobre a construção do Rodoanel. "É um problema complexo", referindo-se à ação civil pública do Ministério Público do Estado. "Se não houver liminar nós iniciamos a obra", prometeu.FebemApesar de ter dado um traço pessoal ao anunciar maior atenção à capital paulista, o governador reiterou que deverá dar continuidade aos projetos iniciados pelo antecessor. "Os projetos do governador Geraldo Alckmin foram muito bem realizados e muito bem concretizados. Eu acho que é um dever cívico prosseguir esses projetos para que não haja uma entropia no governo de São Paulo", prometeu. Ele destacou a questão da Febem como o grande problema do governo paulista, queixando-se da dificuldade de as prefeituras aceitarem novas unidades em seus territórios. "Nós estamos construindo cerca de 50, no entanto temos encontrado um grande bloqueio de comunidades e prefeituras - particularmente de um determinado partido - que se opõem dizendo que essa não é a melhor filosofia", citando as prefeituras de Guarulhos, Osasco, Suzano e São Carlos, todas governadas pelo PT.O governador anunciou que deverá promover um simpósio para discutir a questão do menor e sugere alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "Um grande jornal de São Paulo fez uma matéria muito interessante que demonstra a presença de agentes externos (referindo-se à reportagem publicada no Estado intitulada ´A crise vista por dentro´. Lembo citou como exemplo a atuação de algumas ONGs que, apesar das boas intenções, estariam extrapolando as suas funções. "Eu vou fazer em breve - e quero fazer isso nos próximos 15 dias - um simpósio interno, a partir da matéria desse jornal e de outras informações que estão na minha mesa", salientou. Ele citou entre as mudanças necessárias o fato de que o ECA, em algumas circunstâncias, faz com que o menor infrator sofra mais do que o maior ao cometer crimes.DenúnciasCláudio Lembo procurou amenizar as denúncias do Ministério Público contra Geraldo Alckmin, sobre o patrocínio à revista do acupunturista do ex-governador. "É uma revista científica de grande circulação no meio médico sobre medicina oriental que teve patrocinado um número pela Companhia de Transmissão de Energia. E foi um pequeno valor (R$ 70 mil) por anúncios da Companhia", justificou. Lembo chamou de "deselegantes" as críticas contra os vestidos doados à ex-primeira dama Lu Alckmin. "Eu acho que as primeiras-damas devem usar, sim, moda nacional e devem, sim, aceitar para exibição específica (os vestidos), o que não se agrega ao patrimônio das pessoas", sustentou. "Portanto, eu acho uma maldade e uma malícia."

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