Leiloeiro exibe fotos da casa de Cabral em Mangaratiba

Imóvel e lancha de ex-governador do Rio somam R$ 12 milhões

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2017 | 12h16

RIO - O leiloeiro Renato Guedes, designado pela Justiça para levar a leilão bens do ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho (PMDB), publicou em seu site fotos que mostram detalhes da casa do ex-governador do Rio, em Mangaratiba, município a 107 quilômetros da capital fluminense. Símbolo dos anos em que Cabral, à frente do governo do Rio, comandou um esquema de corrupção ainda sob investigação da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e da Justiça Federal, a luxuosa casa mobiliada, com 462,70 m² tem sauna, duas piscinas (uma delas dá acesso, pela água, à sauna) e churrasqueira. O terreno com 1.000 m² fica à beira da Praia São Braz, com quadras de esporte.

Por dentro, a casa tem portas grandes de luxo, aparelhos de TV com home theater, quadros com os rostos de Cabral e da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo e imensos sofás. A casa foi avaliada em R$ 8 milhões, com o lance mínimo de R$ 6,4 milhões. O leilão está marcado para o próximo dia 3.

Também há fotos da lancha Manhattan, ano 1997, cabinada com deques, suítes, bar lounge, salas e bote com motor, em fibra de vidro. Na observação, o leiloeiro ressalta que a “lancha possui em seu interior diversos aparelhos e eletrodomésticos”.

A embarcação foi avaliada em R$ 4 milhões e o lance mínimo é de R$ 3,2 milhões. Oficialmente, a embarcação pertence à empresa MPG Participações, controlada por Paulo Fernando Magalhães Pinto, ex-assessor do peemedebista e apontado como operador do ex-governador. Mas a PF e o MPF dizem que o ex-governador é o verdadeiro dono do barco.

A decisão de leiloar os bens do peemedebista foi tomada pelo juiz da 7.ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas. Ele está preso desde novembro passado, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

Na lista de bens a serem leiloados, também há três veículos. São dois jipes da marca Mitsubishi. Um está registrado em nome do Coelho e Ancelmo Advogados (escritório da mulher de Cabral, avaliado em R$ 120 mil); outro é da própria Adriana e foi avaliado em R$ 240 mil. Há ainda um Hyndai Azera, pertencente a  Cabral, avaliado em R$ 76 mil.

Será posta em leilão também uma moto aquática, da marca Seadoo, modelo 2012, avaliada em R$ 45 mil, e um jetboat por R$ 50 mil.

No despacho em que determina o leilão, Bretas afirma que o lance mínimo permitido para arrematar os bens será o da homologação dos valores da avaliação, "acrescido de custas e demais consectários legais".

Se não for alcançado o valor mínimo, haverá, no  dia 11 de outubro, no mesmo horário e lugar, um segundo leilão. Nele, os bens poderão ser arrematados por valor não inferior a 80% do valor homologado.

O leilão será feito no Foro da Justiça Federal Marilena Franco, na Avenida Venezuela, na zona portuária do Rio.

Um dos advogados de Cabral, Rodrigo Roca, criticou a decisão do juiz Marcelo Bretas de permitir o ingresso da imprensa na mansão: “Bretas, dando mais uma prova da sua suspeição para julgar o ex-governador, autorizou, sem qualquer requerimento, que a imprensa acompanhasse a diligência de avaliação dos bens. Estamos analisando a viabilidade de uma representação contra o juiz perante o Conselho Nacional de Justiça, já que essa autorização em nada aproveita ao processo e apenas expõe, desnecessariamente, a privacidade do ex-governador e da sua família, em troca de sensacionalismo sádico e alheio à discussão dos autos”, afirmou Roca, em nota. “Já apelamos da decisão de alienação antecipada dos bens, que não possui qualquer fundamento legal”, conclui.

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