Leia o que os políticos disseram quando a anistia foi aprovada

"É preciso perceber que o governo não tinha mais por onde fugir", disse Teotônio Vilela

22 de agosto de 2009 | 19h06

Frases de discursos durante a sessão do Congresso Nacional do dia 22 de agosto de 1979 quando foi aprovado o projeto de anistia:

 

"Essa anistia tem o tamanho, tem a proporção exata de quem a está propondo, isto é, é uma anistia mesquinha, discriminatória, do tamanho do próprio governo, do tamanho da própria ditadura militar que tenta nos impô-la agora".

Deputado Edison Khair (MDB-RJ)

 

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"Isto não é um projeto de anistia, mas, sim, um projeto de autoanistia, na medida em que ele procura, o regime e o governo, enganar, engodar o povo brasileiro".

Deputado Freitas Diniz (MDB-MA)

 

"Anistia restritíssima, disse alguém, imoral, disse outro, e uma anistia que, em 2.260 pessoas anistiáveis, anistia 2.200, apenas 60 ficam do lado de fora. E ficam do lado de fora não se dizendo permanentemente. Ficam do lado de fora tendo o presidente da República autorizado a mim, como seu líder no Senado, dizer que este era o primeiro passo de uma primeira fase".

Senador Jarbas Passarinho (Arena-PA)

 

"A anistia, antes de tudo, é uma dívida da União, através de seus poderes constituídos - Executivo, Legislativo e Judiciário - uma dívida contraída com a sociedade brasileira. Esta dívida está sendo cobrada no Congresso Nacional. O governo resolveu apresentar uma proposta que representa 5% do valor da dívida"

 

"É preciso perceber que o governo não tinha mais por onde fugir, acossado pela sociedade. Da queda imposta, resolveu, como no samba, sacudir a poeira e passar a perna por cima. Não dá anistia, serve-se dela. Esse jogo, evidentemente, tinha de ter um preço. Então haverá, sem dúvida, o benefício a algumas pessoas".

 

"Quem julga da oportunidade e da extensão da anistia é a sociedade. Pois se os poderes da União existem, existem tão somente para servir aos bens coletivos - e nenhum bem é mais importante no atual processo evolutivo da civilização brasileira do que o da restauração da dignidade da lei, como regra de direito, se quer fazer deste País uma democracia. A sociedade clama por anistia ampla, geral e irrestrita".

Senador Teotônio Vilela (MDB-AL)

 

"Eu que repilo a violência, que repilo o terrorismo em todas as modalidades, pergunto: qual a diferença que existe entre um terrorista e um torturador? Qual é? São tipos do mesmo gênero, e, se ainda fosse preciso estabelecer uma ordem, creio que o terrorista, que em campo aberto pratica o seu ato vandálico, correndo os riscos de as sua ação, ainda é menos condenável do que aquele que, ungido de autoridade, abusando da lei, do silêncio das noites, protegido pela ausência de testemunhas, servindo-se de um objeto - porque já deixa de ser uma pessoa humana, para ser um objeto - exercer sobre um pobre, sobre um miserável objeto humano, a crueza dos seus instintos bestiais".

 

"Votado hoje o projeto da anistia restrita ou da anistia mesquinha, ou da anistia caolha ou da anistia paralítica, hoje, ainda hoje, daqui diremos ao Brasil: a nossa vitória está longe ainda de ser alcançada, mas, dia mais, dia menos, ela virá pela voz dos homens que, no fundo das trevas não perdendo a esperança, anunciavam ao Brasil a anistia para os brasileiros". . Declaração de voto por escrito de 29 parlamentares do MDB - "Está em pauta no Congresso Nacional mais um projeto discriminatório. Através dele, anistia-se irrestritamente os torturadores e parcialmente os opositores do regime".

Senador Paulo Brossard (MDB-RS)

 

"A bancada do nosso partido traz hoje perante o Brasil esse projeto, assume o compromisso de votá-lo, assume o compromisso de prosseguir e, sobretudo, tem a consciência tranquila de que está aqui fazendo o máximo que pode, o máximo ao seu alcance, o máximo sem risco, o máximo sem anarquia, sem titubeio, sem que haja choques no País".

Deputado Nelson Marchezan (Arena-RS)

 

"É necessário, desde logo, afirmarmos que o governo e o partido que lhe dá apoio escolheram, como primeiro passo na abertura política e como primeira medida à conciliação nacional, a anistia restrita".

Deputado João Linhares (Arena-SC)

 

"O projeto do governo concede anistia ampla, não sendo irrestrita porque desse benefício exclui apenas cerca de 60 pessoas condenadas pela Justiça".

Senador Aloysio Chaves (Arena-PA)

 

"Este projeto constitui o máximo que se poderia fazer dentro daquele dever impostergável do presidente da República de resguardar a ordem dessa Nação para que realmente possamos marchar para o desenvolvimento".

Deputado Cantídio Sampaio (Arena-SP)

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