Leia íntegra do discurso de José Serra no dia 19 de abril

Pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB participou de encontro com empresários mineiros em Belo Horizonte

Estadão.com.br

17 Maio 2010 | 23h49

Meus amigos, minhas amigas, eu vou dizer uma coisa para vocês. Eu estou muito à vontade aqui, porque eu não me sinto apenas entre aliados, entre militantes, todos da mesma causa, eu me sinto, muito sinceramente, entre amigos. Me sinto entre amigos, me sinto em casa. E queria agradecer, do fundo do coração, a todos e a todas que aqui estão, que eu não vou conseguir falar, mas a eles, invés da palavra, eu quero estar presente de coração para coração. Muito obrigado pela reunião de hoje, muito obrigado pela presença. Muito obrigado pelo incentivo e pelo estímulo. Queria aqui saudar o presidente do nosso partido, o Sérgio Guerra, de Pernambuco que nos falou; o Rodrigo Maia, presidente dos Democratas, nosso aliado, que nos falou; a vereadora Luzia Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, que representa o PPS, que nos falou e nos falou tão bem; o presidente nacional do PSC, Vitor Nósseis; o deputado Márcio, presidente do PSDB de Minas, a quem devemos à organização dessa reunião. Nós viemos aqui, eu e o Aécio, sinceramente, imaginando encontrar algumas dezenas de pessoas. “Mas o auditório é grande, como é que vai ser e tal”. Nós sabíamos que não iam caber as pessoas nesse auditório grande.

 

 

Queria também cumprimentar o Carlos Melles, presidente dos Democratas de Minas, nosso deputado; o Paulo Elisiário, presidente do PPS de Minas; o Alberto Pinto Coelho, presidente do PP de Minas Gerais. Queria saudar aqui todos os senadores, nossos amigos, os líderes que nos acompanham na tarde de hoje, e queria dar meu abraço muito especial ao nosso queridíssimo governador, Anastasia. Olha, eu conheci o Anastasia em Brasília, quando ele era do Ministério do Trabalho. Acho que o secretário geral, executivo do ministério, vice-ministro. Depois na Justiça. Tive dele a melhor impressão daquilo que é o servidor público. Quando está no governo, a gente não deve se servir do governo, como muitos fazem, mas servir ao nosso povo. E o Anastasia é dos melhores quadros de servidores que nós temos no nosso país. Enfim. Mas eu achei uma boa quando o Anastasia veio para cá junto com o Aécio, depois quando foi vice no segundo mandato. E achava: “O Anastasia vai se eleger”. Vai se eleger porque navega na corrente de um governo excepcional para Minas Gerais, porque é um homem preparado por muitas condições. Mas hoje, aqui, vendo o Anastasia falar, eu conclui o seguinte: “Ele vai ser eleito também por essa empatia, por esse discurso simpático, claro”.

 

Nota dez, Anastasia, nota dez. É a primeira vez que eu vejo o Anastasia em um palanque. Nota dez. E, queria por último, dar o meu abraço aqui no Aécio Neves. Nós nos conhecemos, convivemos há 23 anos. O Aécio disfarça a idade, mas... Como eu sou jovem e tudo o mais. Mas 23 anos, na Assembleia Nacional Constituinte, nós convivemos. Eu o conheci como secretário particular do Tancredo, quando o Tancredo me convidou para coordenar o programa de governo dele, encontrei o Aécio numerosas vezes. Quando houve o cortejo que levou Tancredo, o seu corpo para Brasília, foi a maior manifestação de rua que já aconteceu em São Paulo. Nunca houve uma coisa assim, desde o Instituto do Coração até o Aeroporto. Uma imagem ficou gravada na minha mente e na minha alma: foi a última pessoa a entrar no avião, foi o Aécio. Na escadaria, na escada do avião, se voltou, cumprimentou a todos que estavam ali. A gente via nele a descendência e o espírito do Tancredo, e eu pensei: "Esse rapaz...", como se diz em São Paulo, "... vai longe". E ficou gravado até hoje aquela imagem de pesar, de sentimento, de serenidade e de perseverança que ele já demonstrava. É o homem perseverante. Às vezes ele disfarça para esconder a perseverança, mas é extremamente perseverante.

 

Quando o Aécio vai atrás de um assunto, desiste, é melhor ceder logo porque ele não vai desistir. Bem, mas para mim, é um incentivo, um estímulo muito importante estar aqui junto com o Anastasia, junto com o Aécio. Eles estão terminando - ainda temos alguns meses - um governo que fez muita coisa em Minas. Com o critério do interesse público, ele falou das estradas, duzentas e tantas, acessos asfaltados aos municípios. Não houve em nenhum momento, aqui, eles pedirem carteirinha partidária para prefeito, foi para todo mundo aqui em Minas. Isso é governar orientado pelo interesse público. Nós fazemos isso, é o nosso comportamento, o nosso estilo que se materializou como nunca aqui em Minas Gerais. Muita coisa foi feita no plano dos investimentos, da descentralização, da eficiência, do saneamento financeiro, do rendimento de cada real que o governo extrai dos impostos - do ponto de vista da sua aplicação na economia e na sociedade.

 

Nos indicadores positivos, altamente positivos da mortalidade infantil e da qualidade de educação, que Minas já estava, e ficou mais acima ainda da média nacional. Mas acima de tudo, esta obra toda ganhou outro significado e uma contribuição dada pelo Aécio e a sua equipe, que foi a união de Minas Gerais, a recuperação da auto-estima de Minas Gerais. A colocação de Minas na trilha de um círculo virtuoso, em que a população ama o seu Estado e que uma coisa positiva puxa a outra. Isso, meus amigos, minhas amigas, é a coisa mais importante que tem para o Estado e para o país. E é isso que eu me proponho, em função do Brasil, se merecer, como espero, a confiança da população brasileira. Eu e todos nós que estamos juntos nesta luta. E o Aécio tem outra característica que é importante: sabe formar equipe. Sabe escolher gente de qualidade, sabe quais são os pontos críticos de cada governo. E aí, seleciona segundo a qualidade do integrante, o seu preparo, a sua experiência e a sua lealdade.

 

Eu mesmo, uma vez tive uma experiência com o Aécio quando ele tinha sido eleito Governador, e eu, candidato à Presidente, perdi o segundo turno. Uma vez ele me chamou e me disse: "Olha, eu tenho uma empresa aqui que eu queria botar alguém que seja firme, que seja competente e seja independente, você não quer me sugerir?". E eu sugeri uma pessoa pra ele e ele colocou lá, ele mal conhecia, que era o Mauro Ricardo, que teve um desempenho excepcional, todos aqui sabem disso, à frente da Copasa. Mas por que isso? Porque tem o espírito público atrelado à sua carreira política, ou seja, vamos fazer equipes de gente competente independentemente de onde venham, independentemente dos seus credos todos, mas que está comprometido com a defesa do interesse público, com a eficiência, com a seriedade e com a honestidade. E essa equipe... [Aplausos]. E essa equipe foi capaz de inovar bastante aqui em Minas trazendo exemplos, trazendo políticas novas. E eu, por exemplo, no governo de São Paulo, ou mesmo na Prefeitura, não hesitei de copiar.

 

A gente sempre copia, muda alguma coisa, fica uma, é uma espécie de originalidade da cópia, por exemplo, a certificação dos cargos públicos que são cargos de livre nomeação do Governador, estabelecer condições para as pessoas assumirem. Isto é uma coisa simples, naturalmente enfrenta resistências, mas que tem um impacto, do ponto de vista da eficiência excepcional... Comum e várias outras coisas que nós tratamos de acompanhar. Isso na nossa administração em São Paulo. Não tive em São Paulo o mesmo grau de aprovação do Aécio, mas em padrões paulistas, o nosso governo foi bastante aprovado por toda a população. [Aplausos]. Uma dessas características que nós replicamos em São Paulo é trabalhar juntos com as outras esferas de governo. Com o Governo Federal e com os municípios. Quero dizer que o Governo Federal nos tratou com correção. Não houve, principalmente nas questões econômicas financeiras, nenhum tipo de discriminação. Eu sou o primeiro sempre a valorizar as outras esferas de governo, ninguém perde nada.

 

Se disser: "Não, cooperamos aqui, fizemos tal coisa", maravilha, ganham os dois e se estimula a trabalharmos juntos. E trabalhamos muito com os municípios, nossos parceiros. Em São Paulo, em geral, os Prefeitos que corriam atrás das coisas, no nosso governo nós passamos a correr atrás dos Prefeitos, Anastasia. [Aplausos]. Atormentando os prefeitos. Porque tem que fazer isso, porque tem que fazer aquilo, porque tem que tocar tal coisa. Até porque as coisas não andam. Invertemos nesse sentido a tradição, nunca pedimos carteirinha. Nunca e sempre tratamos oposição na Assembleia, no Parlamento como adversário, não como inimigo. E nas prefeituras como parceiros, sempre, de qualquer partido, nunca se perguntou, eu na maioria das vezes sabia de que partido era o prefeito no helicóptero indo para a cidade, olhando, ah, esse aqui é desse partido, esse é daquele.

 

Nunca houve esse tipo de filtro. Isso por quê? Porque nós estamos voltados não para favorecer companheiros, não para favorecer partidos. Nós estamos voltados para a nossa população, esse é um exemplo que nós recolhemos de Minas, que nós reproduzimos em São Paulo, e que os tucanos praticam como tradição, em todo o nosso país. Quero dizer, hoje mencionei um dado na federação de indústria de Minas que é absolutamente desconhecido. Vocês sabem que de cada quatro reais de investimentos feitos pelo governo no Brasil, três são dos estados e municípios. Vocês sabiam disso? É quem investe no nosso país. É quem de fato está próximo da população. Eu sou da escola do Franco Montoro, que dizia e repetia sempre, a população vive no município, não vive nem no Estado e nem vive na União. É aí que nós valorizamos o nosso trabalho. Na constituinte, eu fui o relator do capítulo tributário, com a participação de muita gente, inclusive do pai do Rodrigo Maia, grande Deputado na época, o César Maia que era o meu companheiro inclusive de exílio no Chile, aliás, o Rodrigo tem uma característica compatível os meus filhos. A mãe é chilena e nasceu no Chile também, como os meus filhos também. E a propósito, de filhos eu quero até dizer, hoje é o dia do indígena, Dia do Índio, que merece a nossa homenagem os indígenas de todo o país. [Aplausos].

 

E na minha família, nós temos uma particularidade, porque a minha sogra que faleceu era índia, índia do Chile, mas muito parecida fisicamente com as índias brasileiras, de maneira que meus filhos têm no sangue os indígenas da nossa América do Sul. Portanto, pra mim esse dia me toca, tem uma sensibilidade muito especial de homenageá-los uma vez que estão presentes no sangue dos meus filhos, que nasceram quando eu estava exilado no Chile, e o Rodrigo também nasceu no Chile e o César também casou com uma chilena e, portanto temos muitos chilenos na família. Mas, voltando, a questão dos municípios no Brasil tem que ser refeita, nós fizemos a constituinte, melhorou muito a situação da maioria dos municípios, houve ganhos e tudo mais, mas houve também um grande aumento dos encargos, essa que é a verdade, só na saúde... [Aplausos]. Quando eu era Ministro, nós fizemos uma emenda constitucional que salvou a saúde no Brasil fixando piso dos gastos, Estados 12%, municípios 15, União reajustando cada ano segundo o crescimento do PIB do ano anterior, para garantir o mínimo da saúde. Sabe o que aconteceu no caso dos municípios?

 

Não mudou nada, porque mais de 95% dos municípios brasileiros, Anastasia, já gastava mais de 15%, essa é que é a verdade. Municípios têm alguns que gastam 15, 20, 25% na saúde, tem muitos encargos. E o que tem acontecido é que muitas vezes eles ficam reféns de políticas que não são municipais, são políticas de incentivos, que mordem diretamente no fundo de participação, morde no FBN, que é a principal fonte de recursos de muitos municípios, mas não de todos, de muitos, políticas que não são do município, ainda quando você dá um incentivo do ICMS no município, tal, ele não arrecada, mas ele vai ser beneficiado pelo desenvolvimento da atividade no seu local, mas as políticas nacionais têm a ver com o conjunto e quem paga mais são aqueles municípios que dependem do fundo de participação. Então, nós temos que ter uma mudança de enfoque, uma mudança de abordagem nessa matéria, por outro lado, olhando no caso dos municípios grandes, tem que ter uma presença não só estadual, como federal nos maiores investimentos, é o caso aqui de Belo Horizonte e da região do grande Belo Horizonte, nós temos três coisas que são simbólicas e que estão faltando, uma delas é o metrô, eu fiquei abismado quando lia os relatórios vindo pra cá. [Aplausos].

 

Que não aumentou um metro do metrô nos últimos anos, o último aumento foi no governo Fernando Henrique, quando eu era Ministro do Planejamento e o Eduardo Azeredo Governador, que nós canalizamos recursos e acabaram sendo feito seis quilômetros a mais de muitas estações. Uma cidade como Belo Horizonte, até para evitar não repetir o drama do trânsito de São Paulo que tem metrô mais aquém da necessidade, tem que ter o seu metrô desenvolvido com várias linhas. Isso ficou estacionado. [Aplausos]. E olhem, isso para nós vai ser uma política de governo, todas as cidades com mais de 500 mil habitantes, para dar uma ideia, devem desenvolver o seu sistema de metrô, isso é salário indireto para o trabalhador, porque quando o trabalhador gasta, uma, duas, três horas, ele tá se estressando, perdendo tempo sem ganhar nada, isso consome o seu lazer, a sua capacidade de trabalho, é um investimento social. Outro exemplo aqui na região é o aeroporto de Confins, que é um aeroporto que já está sobrecarregado e tem uma condição muito particular, que os aeroportos de São Paulo, por exemplo, não têm, dá para expandir, tem áreas para ele poder se expandir, mas está parado, isso hoje é um fator econômico importante de comércio e de turismo também.

 

Também não tem investimento. E os aeroportos são prerrogativas, controlados, decididos... Que faz pelo Governo Federal, que devia ter feito concessão no caso dos aeroportos, concessões que têm dado muito certo atraindo investimentos privados para um serviço público porque é rentável. Um terceiro exemplo é o anel viário em torno de Belo Horizonte. Nós, em São Paulo, avançamos no Rodoanel que tem colaboração Federal, 24% de aporte Federal do que custa o Rodoanel, e nós sempre reconhecemos isso. Agora é importante Belo Horizonte fazer isso antes que se torne grande como São Paulo, que aí os custos serão absurdos só na faixa de desapropriações e tudo mais, isso também implica política do Governo Federal como grandes estradas, Belo Horizonte-Vale do Aço, Belo Horizonte-Rio de Janeiro que são coisas essenciais. Vale do Aço é de Governador Valadares na verdade, enfim, muitas coisas. Minas tem a maior rede rodoviária do Brasil e ela está situada no centro nervoso do Brasil, portanto é uma região, um estado que... Transporte é importante em todo o lugar, mas Minas é crucial porque é o entroncamento do Brasil, do ponto de vista rodoviário, portanto tem que ter um Governo Federal voltado para isso e no sistema que o Aécio coloca com muita propriedade de coordenação dos investimentos, porque é importante coordenar o investimento. Eu faço aqui, você faz uma parte, o outro faz a outra parte e não fazer coisas soltas, que aí não soma esforços, não soma, não multiplica os resultados, isso é essencial e eu vou estudar esse documento azul e mais ainda nos outros estados eu vou dizer: "Porque vocês não fazem uma coisa igual a Minas?". [Aplausos].

 

Para Pernambuco eu digo, para o Rio de Janeiro, para todos os lugares, viu, Cícero, para a Paraíba, para todo o lugar. Uma coisa desse tipo, discreta, objetiva, que é um guia para o nosso trabalho. Eu vou dizer uma coisa para vocês, se eu chegar, como eu espero e nós vamos, isso vai acontecer, à presidência da república, eu vou ter um objetivo. É do ponto de vista de Minas e do Brasil é recompensar aquilo que o Juscelino e o Tancredo fizeram por São Paulo e pelo Brasil. Um no desenvolvimento, ninguém ignora que o grande salto dado pelo Juscelino, o estado mais beneficiado foi São Paulo, todo mundo sabe disso. Ninguém ignora que o maior impacto da redemocratização capitaneada por Tancredo, a união nacional do Tancredo beneficiou a todo nosso país e muito ao nosso Estado, como também quero ser justo aqui, o outro presidente que foi de Minas e que cujo governo foi estabilizada a moeda da super inflação. Aqui a maioria era criança na época do plano real, principalmente as mulheres aqui, todas tinham 5, 6, 7 anos, ninguém lembra do que era uma inflação de 12, 20% ao mês, pois foi no governo Itamar, que o qual até participou o Elizeu que está aqui, ao lado do Fernando Henrique, que isso foi conquistado.

 

Na verdade o Brasil está sendo construído, o Aécio falou dos últimos 25 anos, é o maior período de democracia de massas no nosso país, nunca mais se falou de intervenção militar. Eu quando era criança, adolescente, já fazia política, era só coisa, já teve 2 tentativas de golpe com Juscelino. Getúlio se suicidou, o Jango foi derrubado. Enfim, mesmo no regime militar era golpe dentro do golpe, isso acabou no Brasil, 25 anos de normalidade democrática de massas numa constituição que assegurou direitos, numa constituição que avançou na cultura e que criou o SUS, Sistema Único de Saúde. E aqui eu quero fazer justiça a uma pessoa, que foi importante no sentido de unificação do nosso sistema de saúde, que foi o Carlos Mosconi. Fez um trabalho, eu queria reconhecer publicamente. Nessa época eu não entendia muito de saúde, nem entendo até agora, vocês sabem que eu estudei engenharia, sou economista, eu não aguento ver aplicar uma injeção que já me dá tontura, mas o Mosconi foi no Governo Itamar, ele foi que promoveu inclusive a unificação do antigo INAMPS com o Ministério da Saúde, então o passo mais concreto, lembra Anastasia?

 

Para criação do SUS, que é uma coisa boa no Brasil, com muitos problemas e olha, a propósito de saúde eu vou dizer o seguinte: a função do governo básica, a primeira é garantir a vida das pessoas, e garantir a vida são 2 caminhos, saúde e segurança e o Governo Federal tem que mergulhar nas 2. A saúde não foi para trás nesses anos, mas deixou de avançar como vinha avançando e nós temos que recolocar a saúde na trilha do avanço, da inovação. Algumas coisas vem do passado, foram interrompidas, nós vamos retomar, os mutirões, né, os mutirões de catarata, né, de Papanicolau, de tudo, de hérnia, de tudo, isso foi interrompido, não sei porque, mas foi interrompido. Olha, outra dia eu estava em Maceió com o Teotônio Vilela, uma mulher nos parou em um shopping center, onde a gente foi almoçar, ela disse: “Você salvou a minha vida”. Eu falei: “Eu?” “Pois é, em 1998 vocês fizeram um mutirão do Papanicolau, fizeram Papanicolau em milhões de mulheres e descobriram que eu tinha câncer, se não tivesse feito eu não saberia, eu teria morrido”. Eu vou dizer para vocês, um testemunho desse. Para mim compensa tudo o que eu fiz, juro por Deus. Uma coisa dessas, vale mais do que qualquer outra coisa. Outro dia, no Rodoanel, quando nós inauguramos, antes eu tinha ido lá visitar, aflito que não ia ficar pronto, uma chuva que mais chuva, vocês não imaginam a agonia que é 45 dias chovendo sem parar em cima do Rodoanel.

 

Em cima de tudo, mas o Rodoanel eu olhava, já sabia a região, lá era todo dia, o resto variava, mas lá era todo dia. Uma agonia. E eu fui visitar aquilo, vi lá os trabalhadores, pensei: “Puxa, esse pessoal está trabalhando aqui hora extra, tomando chuva. Comodidade, vou ficar plantado esperando a chuva, que é pior, é melhor trabalhar do que ficar parado esperando a chuva passar”. Falei: “Tem que ter um registro disso”. Falei: “Olha, vamos fazer um memorial com o nome de todos os trabalhadores”. Eu fui à pré-inauguração, como esta campanha, uma pré, porque faltava ainda asfaltar ou pôr uma linha não sei aonde, para não dar encrenca, uma pré-inauguração. E aí, depois, no final, eu fui ver o memorial, mas um trabalhador me pegou pelo braço e falou: “Vem aqui, Serra”. Chamou de Serra. “Eu quero te mostrar meu nome”. Foi lá e mostrou o nome. Eu fiquei, a imprensa não pegou, eu fiquei de olhos marejados. Porque percebi o seguinte, ele passou a ter consciência de que ele era o construtor daquela obra, você percebe? Aquela homenagem, na verdade, para ele, permitiu a consciência de que são os trabalhadores que fizeram aquilo, são eles que constroem o Brasil.

 

É algo muito significativo. E quero mencionar um outro episódio, nós criamos um grande sistema de atendimento ao deficiente, pessoas que têm algum problema, seja de visão, físico, o que for, problema motor. Criamos uma rede, fizemos muita coisa, uma secretaria especial, uma rede de hospitais de reabilitação e tudo o mais. Mas fizemos uma coisa que custa muito pouco, Rodrigo, que é nas praias, na Baixada Santista, plataformas, junto com as prefeituras, e uma cadeira de roda especial que permite ao deficiente, ao cadeirante, tomar banho de mar. É uma cadeira que não afunda, e uma cadeira que flutua com a água. É uma coisa pequena. Pequena, mas para aquela pessoa é infinita. E eu fui lá inaugurar e levei uma mulher, acabei entrando, eu não tinha programado, acabei entrando na água, não foi programado mesmo, todo mundo viu. Sabe o que a mulher me disse? “Há seis anos que eu não sentia o cheiro da água do mar, que eu não sentia a água do mar em mim”. É desses momentos, como da mulher com câncer do colo do útero, como do trabalhador, como dessa mulher cadeirante, que fazem a gente se sentir preenchido na visa pública. Eu estou na vida não pelo ornamento, não pela badalação, para ser centro das atenções, pelo prestígio, eu estou na vida pública como Anastasia, como Aécio, para servir ao próximo. Eu sou daqueles que procura, eu procuro ser feliz, lógico, eu procuro ser feliz, mas sabe como? Levando felicidade aos outros.

 

A minha motivação é fazer acontecer, é trabalhar pelas pessoas do Brasil inteiro, principalmente as pessoas carentes, as pessoas necessitadas e aqueles jovens que precisam de oportunidade na vida. Oportunidade para progredir, oportunidade de ter um emprego, uma profissão, de subir na vida. Esse é o sentido da minha luta, é o sentido da nossa luta. Vamos juntos, São Paulo, Minas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Sul, todos os Estados, todas as regiões, vamos juntos nessa caminhada até o começo de outubro, uma caminhada da decência, da seriedade, da competência e do compromisso com a democracia, o Estado de direito e a justiça social no nosso país. Muito obrigado, Minas Gerais, de coração, obrigado a cada um, a cada uma de vocês, muito obrigado. Olha aqui, só duas coisas, para a gente ganhar em Minas, além de tudo o que eu falei, nós precisamos ter sempre a Cristiana como animadora, está amarrado, Cristiana? A nossa apresentadora, está fechado? Você vai sempre estar apresentando. E a Marcela cantando o hino nacional. E se ela for prima ou parente do Fogaça, porque é Marcela Fogaça, melhor ainda, que ela faça boa intriga entre nós e o Fogaça. [Palmas].

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