Leia a íntegra da nota do Clube Naval sobre livro da ditadura

Num tom mais incisivo que o do Exército, o Clube Naval também reagiu à forma como foi lançado, pelo governo, o livro Direito à Memória e à Verdade - que relata torturas e casos de desaparecidos políticos durante o regime militar. A nota do Clube, divulgada na sexta-feira, 31 - mesmo dia da nota do Exército -, chama de "bravata, fora de propósito, aliás", o pronunciamento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que afirmou, no lançamento do livro, que "não haverá indivíduo que possa reagir (ao livro) e, se houver, terá resposta".  Leia a íntegra da nota: NOTA DO CLUBE NAVALEm 31 de agosto de 2007. Entre perplexos e indignados, presenciamos o triste espetáculo do lançamento, em Brasília, de um livro carregado de ressentimentos e inverdades. Obviamente, não foi o livro em si o motivo da revolta. Afinal, muitas outras obras do gênero já foram publicadas e, em uma democracia, devemos admitir que todos têm o direito de expressar suas idéias. O sentimento de afronta tem origem no caráter oficial dado ao ato, na presença do próprio Presidente da República, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, e na infeliz participação do Ministro da Defesa. No momento em que o governo prega, e a sociedade reclama, a concórdia e o desarmamento dos espíritos, tal solenidade agride o bom senso e não serve ao povo brasileiro.  O Ministro Jobim chegou ao Ministério no bojo de grave crise e, desde os primeiros momentos, demonstrou vontade de acertar, conseguindo passar à opinião pública algumas qualidades importantes: apetite para o exercício da autoridade, algo mais do que necessário; vontade de participar das atividades desenvolvidas no âmbito das Forças, algo desejável a quem pretenda entender as peculiaridades do cargo; e percepção rápida de uma prioridade primordial - aumentar a dotação orçamentária das Forças Armadas, essencial a um País que tenha pretensões de ser respeitado no cenário internacional. Nesse contexto, é preferível entender a despropositada ameaça proferida pelo Ministro apenas como uma infeliz figura de retórica, que soa como pequena bravata, fora de propósito, aliás.  Alte Esq José Julio PedrosaPresidente do Clube Naval

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