Lei eleitoral impede Serra de declarar voto em Kassab na TV

Dividido entre duas candidaturas nacapital paulista, o governador José Serra (PSDB) terádificuldade para declarar seu apoio ao prefeito-candidatoGilberto Kassab (DEM) no horário eleitoral gratuito de rádio eTV, que começa na próxima terça-feira. Se cumprir à risca a regra eleitoral, Serra estará impedidode pedir voto a Kassab, terceiro colocado nas pesquisas deintenção de voto. Mesmo imagens de arquivo de cerimônias oueventos oficiais com a presença dos dois que venham a serutilizadas correm o risco de sofrer questionamento na Justiça. A regra, que consta da resolução 22.718 do TribunalSuperior Eleitoral (artigo 37), prevê que apenas políticos quefaçam parte da coligação de um candidato a prefeito tenhamespaço nos programas gratuitos. Como o PSDB não faz parte dacoligação que apóia Kassab, tucanos não podem aparecer no vídeojunto ao democrata. Se isto traz um problema para Kassab, para o candidatotucano Geraldo Alckmin é sua salvaguarda para barrar a presençado principal líder da legenda no Estado na campanha doadversário. "O governador Serra só declararia voto ao Geraldo", disse àReuters o deputado federal Edson Aparecido, coordenador dacampanha de Alckmin. "Mesmo o uso na TV apenas da imagem deSerra pela campanha do concorrente é polêmico." Para o deputado, o máximo que o adversário poderia fazer écontar como chegou à prefeitura --vice de Serra que assumiu oposto em 2006, quando o tucano disputou o governo do Estado. Éesta proximidade com o prefeito que traz constrangimento aogovernador nesta eleição. AUSÊNCIA NA CAMPANHA O coordenador admite que Serra ainda não gravou umdepoimento para ser utilizado na campanha de TV de Alckmin. O governador tampouco visitou o comitê de campanha docorreligionário e nem apareceu junto a ele em cerimôniaspúblicas desde a convenção do partido, realizada no final dejunho. Mas tem procurado também evitar eventos junto a Kassabdesde que a campanha oficial começou, em 6 de julho. Sempre que questionado por jornalistas sobre suaparticipação na eleição municipal, o governador se recusa aresponder, enquanto Alckmin, otimista, declara: "Serra virá.Todos virão". Há quase um mês, a direção do PSDB estadual distribuiucartas a seus cerca de 8 mil filiados cobrando fidelidade. Apunição para quem aderir a um candidato adversário pode chegarà expulsão. "Para nossa felicidade não houve nenhum caso até agora. Acarta estimulou a consciência partidária", declarou CésarGontijo, secretário-geral da legenda em São Paulo. Segundo o dirigente, a eleição municipal em todo o país éuma etapa para o partido se posicionar na sucessão presidencialde 2010 e, como São Paulo é o "DNA" da legenda, o candidatosairá do Estado. Para Kassab, político de 48 anos que concorre pela primeiravez a um cargo majoritário, Serra é seu padrinho político. O prefeito frisa este relacionamento em praticamente todosos discursos públicos que realiza, seja na forma de umagradecimento, seja para dizer que Serra é sua "referência" oupara destacar a parceria prefeitura-governo do Estado. A restrição a Kassab seria como se a candidata MartaSuplicy (PT), que divide a liderança das sondagens de intençãode voto com Alckmin, tivesse limitado o uso de sua proximidadecom o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Consultada, a campanha de Kassab disse que não semanifestaria sobre a questão e nem sobre os programas de TV.

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