Lei de biossegurança atrasa ciência, diz gestor da Embrapa

O gestor de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Maurício Lopes, fez duras críticas ao projeto de lei de biossegurança do Executivo que pretende regulamentar desde as pesquisas à comercialização de transgênicos no País. "Eu fiquei estupefato quando li o conteúdo do projeto de lei. Ele desacredita e coloca a ciência brasileira no limbo ao obrigar que qualquer pesquisa seja submetida aos trâmites burocráticos e intratáveis do Ibama", disse Lopes durante o simpósio da Abimilho, hoje, em São Paulo. Para ele, a ciência brasileira já enfrenta dificuldades desde a Lei de Biossegurança de 1995, que criou posteriormente um "arcabouço infra-legal para as pesquisas". O gestor da Embrapa disse que a atual polêmica sobre os transgênicos gerou uma "agenda extremada" com posições radicais de grupos que defendem e condenam os organismos geneticamente modificados. "O Brasil precisa adotar uma posição nacionalista e estratégica, defender a pesquisa feita aqui para que depois não precisemos importar tecnologia. A compreensão dessa tecnologia é muito pobre ainda e falta uma estratégia para orientar a sociedade", completou Lopes.Cientistas têm de se expor mais, diz GrazianoJá o ex-presidente do Incra e ex-secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Francisco Graziano Neto, pediu aos cientistas e pesquisadores de organismos geneticamente modificados que se exponham mais e que sejam estimulados a dizer o que pensam. "Ou os cientistas decidem essa parada, ou nós vamos perder. Os cientistas precisam se expor e precisamos estimular que façam isso", afirmou Graziano ao criticar o projeto de lei de biossegurança."Se eu fosse funcionário da Embrapa me recusaria a pedir autorização a um órgão corrupto como o Ibama para fazer pesquisa", afirmou Graziano durante o simpósio da Abimilho, hoje, em São Paulo. No Ibama, uma funcionária que se identificou apenas como Cleusa, disse que o órgão está em greve e que ninguém poderia falar.

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