Legista diz que namorada de PC Farias foi assassinada

O médico-legista Daniel Muñoz contestou a tese de suicídio e afirmou que a namorada de Paulo César Farias, Suzana Marcolino, morreu assassinada. Em seu depoimento, nesta quinta-feira, 09, durante o julgamento dos quatro réus acusados de envolvimento na morte do casal. Muñoz repetiu a versão do perito Domingos Tochetto, com quem trabalhou na revisão das provas técnicas do crime feitas pela perícia alagoana.

CARLOS NEALDO, ESPECIAL PARA AE, Agência Estado

09 de maio de 2013 | 15h30

Segundo Muñoz, Suzana morreu em posição de defesa, o que descartaria o suicídio, como sugere o laudo oficial da perícia feita na época do crime. O legista baseia sua tese na quantidade de resíduos de pólvora encontrada na palma da mão de Suzana. Para ele, caso ela tivesse cometido suicídio, os resíduos ficariam em maior quantidade entre o indicador e polegar. "O local onde os resíduos estão indica que ela estava com a arma entre as mãos, como se quisesse se defender do tiro", explicou.

O médico-legista disse ainda que a distância entre o revólver e o corpo - de três centímetros - leva à hipótese de homicídio. "O suicida quer morrer, mas não quer sofrer. Então ele encosta a arma no corpo, para ter certeza de que não vai sofrer", disse.

O legista questionou também o fato de a arma usada no crime não ter impressões digitais. Em testes balísticos feitos por ele com 20 pessoas indicaram que todas deixaram suas impressões na arma. "O revólver utilizado no crime não tinha nem mancha de sangue nem impressões digitais, numa clara evidência que alguém limpou a arma", ressaltou. "Isso leva a hipótese de que Suzana Marcolino foi assassinada."

Em depoimento anterior, o perito Domingos Tochetto também questionou o resultado da perícia. Na época do crime, ambos foram convidados pela Justiça alagoana para fazer uma revisão das provas técnicas feitas pela perícia do Estado.

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