'Legislativo é a mercadoria mais barata do País', diz Stédile

Líder do MST diz, ao comentar caso Renan, que Parlamento no Brasil é motivo de 'chacotas diárias'

EDUARDO KATTAH, Agencia Estado

12 de setembro de 2007 | 15h36

No dia em que o Senado julga o pedido de cassação do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), o líder nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, acusou hoje o Legislativo de ser a "mercadoria mais barata" que se tem no Brasil. Em palestra na Escola Superior Dom Helder Câmara, em Belo Horizonte, Stédile disse que o Parlamento é motivo de "chacotas diárias do nosso povo". "Talvez seja a mercadoria mais barata que nós tenhamos no Brasil. Ao ponto que, pelo resultado das últimas eleições, nós hoje não temos mais deputados de partidos", afirmou o líder do MST, para quem os parlamentares estão comprometidos com os supostos financiadores de suas campanhas eleitorais. "Agora nós temos 36 deputados eleitos pela Vale do Rio Doce, 16 deputados eleitos pela Aracruz, 32 deputados eleitos pelo Bradesco, 28 deputados eleitos pela (Companhia) Siderúrgica Nacional. É essa a bancada dos políticos". Na opinião de Stédile, o quadro atual do Legislativo brasileiro é de "falência completa dos partidos políticos". "Quem elegeu não foi o povo, foi dinheiro dessas grandes empresas. Então, o Congresso Nacional hoje não representa o povo, representa as empresas que bancaram o financiamento". O líder sem-terra - que foi homenageado com uma placa e o título de "Destaque Dom Helder Câmara, Categoria Social" - classificou como "emblemático" o processo envolvendo o presidente do Senado. "Porque por si só revela o grau do descrédito do Congresso Nacional perante a sociedade brasileira".

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