Legenda vira a noiva pragmática

A vitória do PMDB nas eleições municipais representa a consagração do pragmatismo do partido. A opinião é do cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, ao analisar o crescimento do PMDB nestas eleições, que saiu das urnas com o maior número de votos e de prefeituras. "O PMDB, sem dúvida, é a noiva mais assediada da política", resumiu Fleischer.Tanto é assim, avalia o cientista, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva "aprenderam" que não é possível governar sem o PMDB. "E o PMDB, nestas eleições, soube aproveitar bem a aliança que fez com o governo Lula. Aproveitou bem os seus ministros e indicados para o segundo e terceiro escalões", disse Fleischer. Integrantes do PMDB comungam da mesma opinião do cientista político.Garantem que o crescimento do partido é fruto de sua unidade, mas reconhecem que a aliança com o governo Lula abriu caminho para conquista de benesses federais, o que acabou facilitando a eleição de seus políticos. "A participação do PMDB no governo Lula fez com que se tivesse mais unidade e mais possibilidade de atender as nossas bases nos Estados e municípios", afirmou o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), ex-ministro de FHC. "É claro que dentro do governo nos beneficiamos do êxito do governo", reconheceu o líder do partido na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Para o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), o sucesso do PMDB deve-se ao que ele chama de "versatilidade'' do partido. "O PMDB é uma confederação que se recompõe de acordo com a conveniência", argumentou o tucano.

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