Legenda enquadra candidatos

Plano é sacrificar petistas para atrair apoio a Dilma

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

09 Maio 2009 | 00h00

O PT vai enquadrar seus candidatos aos governos estaduais. Em mais um movimento para atrair o PMDB em torno da candidatura presidencial da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o Diretório Nacional do PT decidiu ontem endurecer as regras e baixou resolução para segurar o ímpeto dos mais apressados. No calendário pró-Dilma, a ordem é firmar parcerias para conquistar apoio à ministra. Por determinação do comando petista, prévias e encontros convocados para definição de candidaturas estão agora suspensos até fevereiro de 2010, quando o PT completará 30 anos e realizará seu 4º Congresso Nacional, desta vez para aprovar a política de alianças e a plataforma da provável campanha de Dilma. O plano é montar palanques para a ministra no maior número possível de Estados, mesmo que para isso seja necessário sacrificar candidatos do PT aos governos. "Nossa preocupação é não criar fato consumado nos Estados, para que depois nossos potenciais aliados não digam que já decidimos tudo", afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). "Queremos ganhar a eleição", emendou Berzoini, ao negar rumores sobre uma possível troca de candidato do PT depois que Dilma revelou estar em tratamento para combater um tumor linfático. "Ela representa a continuidade do nosso projeto", insistiu. A decisão da cúpula do PT ocorre uma semana depois da polêmica travada com o ministro da Justiça, Tarso Genro, que lançou seu nome para a disputa ao governo do Rio Grande do Sul. Ao ser informado da atitude de Tarso, Berzoini chamou de "informal" o calendário gaúcho e suas declarações foram interpretadas como um recado. Motivo: parte da cúpula do PT quer apoiar o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), ao Palácio Piratini. Tarso reagiu irritado e afirmou que Berzoini devia um "pedido de desculpas" aos gaúchos, exigência considerada "absolutamente ridícula" pelo presidente do PT. Além do Rio Grande do Sul, que já marcou encontro estadual para julho, o comando petista terá de contornar problemas no Distrito Federal, onde há prévias programadas para 16 de agosto entre o deputado Geraldo Magela e o diretor da Anvisa Agnelo Queiroz. Magela disse que acatará a resolução do PT. "Eu submeto os meus desejos à eleição presidencial e acho que essa deveria ser a posição de todos, inclusive do ministro da Justiça." Tarso não compareceu à reunião ontem, mas seu grupo conseguiu encaixar na resolução um trecho que abre brecha para exceções quando houver consenso em torno do candidato.

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