Reprodução Twitter
Reprodução Twitter

'Lealdade é uma coisa que ele deveria aprender', diz Haddad sobre Doria

Ex-prefeito destaca relação de tucano com governador em conversa com usuários de rede social

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2017 | 12h18

Apontado como possível substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial do ano que vem, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad respondeu nesta terça-feira, 10, à acusação do prefeito João Doria de que ele, Haddad, era o culpado pela queda do atual chefe do Executivo municipal nas pesquisas eleitorais. Haddad chamou Doria de “o prefeito da desconstrução”. “Infelizmente o Doria não tem sido muito leal comigo. Mas isso também não é nenhuma novidade porque ele não tem sido leal nem com o (governador Geraldo) Alckmin. Lealdade é uma coisa que ele deveria aprender”, afirmou o ex-prefeito durante conversa com usuários do Twitter nesta manhã de terça-feira, 10.

Segundo Haddad, relatórios do Tribunal de Contas do Município mostram que, em vez do rombo de R$ 7 bilhões apontado por Doria, deixou R$ 5 bilhões em caixa quando entregou a Prefeitura, dos quais R$ 300 milhões livres para “Doria fazer o que quisesse”.

O ex-prefeito também mandou um "recadinho" ao ex-governador Alberto Goldman, prestes a completar 80 anos, ao ser questionado sobre qual mensagem gostaria de enviar ao tucano, após este ser alvo de "recadinho" contundente de Doria em vídeo no qual é chamado de "derrotado". O “recadinho” provocou alerta entre parte dos tucanos. Eles temem que a mensagem seja interpretada como um desrespeito aos idosos. Haddad explorou o fato.

“Meu recadinho vai para o Alberto Goldmann. Depois de amanhã ele faz 80 anos, uma bela idade. Parabéns governador”, disse o ex-prefeito.

+++ Goldman responde Doria após ser chamado de fracassado: 'Raivoso, preconceituoso'

ALIANÇAS

Haddad criticou duramente a aproximação do PT com o PMDB na formação de palanques estaduais pra as eleições de 2018. Disse que o PT deve “mais do que nunca” estar próximo de partidos que “se assemelham na nossa visão de mundo”, citou o PDT, PCdoB e setorers do PSB como possíveis parceiros, afirmou que “aquele PMDB do doutor Ulysses Guimarães não existe mais” e partiu para o ataque contra o ex-aliado. 

“O PMDB hoje representa o que tem de pior na política brasileira com toda a certeza”, afirmou Haddad.

O ex-prefeito é apontado, ao lado do ex-ministro Jaques Wagner, como um dos possíveis substitutos de Lula no pleito de 2018 caso a Justiça inviabilize a candidatura do ex-presidente.

O PT estuda alianças com o partido do presidente Michel Temer em ao menos oito Estados. Recentemente, em caravana pelo Nordeste, Lula elogiou lideranças do PMDB como o ex-presidente José Sarney e o senador Renan Calheiros.

Em resposta aos usuários do Twitter, Haddad disse não cogitar sair do PT em primeiro lugar por causa da importância de um partido trabalhista no País e, em segundo, por não ter para onde ir.

“Migrar para onde? Hoje todos os partidos estão tendo que se explicar. Nós temos é que sanear o sistema politico como um todo, renovar a vida dos partidos que representam alguma ideologia, ideologia moderna, que represente desenvolvimento sócio-econômico para o nosso País. Os partidos todos vão ter que rever procedimentos”, afirmou o ex-prefeito.

GESTÃO DILMA

Haddad voltou a apontar erros da gestão Dilma Rousseff tanto na condução da política econômica quanto na condução do Fies, fundo de financiamento estudantil, que, segundo ele, teve um número exagerado de contratos nos últimos dois anos do governo da petista. Desta vez, no entanto, o ex-prefeito culpou a classe política por investir no impeachment em vez de tar tempo a Dilma para corrigir seus erros.

“Houve uma falha de condução da política econômica a partir de 2012 a partir de um erro de percepção. Na verdade, o governo Dilma transformou em permanente uma política emergencial para combater a crise de 2008”, disse Haddad. “A maneira como a classe política se comportou depois da reeleição explica a falta de perspectiva,. Nós não respeitamos a regra do jogo, isso é muito grave. Se a Dilma errou, ela tinha quatro anos para se corrigir. Vou lembrar que o Fernando Henrique (Cardoso, ex-presidente da República) errou, teve quatro anos para se corrigir e se recuperou. Colocamos a democracia a perder em nome de sentimentos menores”, completou.

DEFESA

Por meio de nota, a Prefeitura diz que Haddad "esqueceu-se" de explicar que os R$ 300 milhões "se tratava de um valor residual (para um orçamento de R$ 50 bilhões) que equivalia a 1/3 da folha de pagamento mensal ou 50% do que se gasta por mês para custear a Saúde".

"O que Haddad insiste em não dizer é que deixou um Orçamento inflado, com receitas superestimadas e despesas subdimensionadas, o que provocou um buraco de R$ 7,5 bilhões. Em outros termos, o equilíbrio momentâneo da virada do ano citado pelo ex-prefeito esconde uma dinâmica perversa, com despesas crescendo sistematicamente acima das receitas", completou o texto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.