Rodolfo Buhrer/Reuters
Rodolfo Buhrer/Reuters

Lava Jato trata de um câncer, mas sistema brasileiro favorece a corrupção, diz Dallagnol

Coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, o procurador afirmou que a Lava Jato não vai mudar o País

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2016 | 11h44

BRASÍLIA - O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, afirmou na manhã desta quarta-feira, 10, que a operação não vai mudar o País por si só, mas que pode representar um ponto de apoio no combate à corrupção. Na avaliação do procurador, a Lava Jato trata de um "câncer", mas o sistema brasileiro é "cancerígeno", com condições que favorecem a proliferação de irregularidades.

"Apesar da Lava Jato não transformar o País, ela traz um momento muito propício. A Lava Jato pode ser um ponto de apoio, ela quebra o cinismo, o cinismo é o último golpe, o golpe mortal da corrupção. A Lava Jato nos faz acreditar que as instituições podem, sim, funcionar", disse o procurador, um dos palestrantes do evento "Democracia, Corrupção e Justiça: Diálogos para um país melhor", promovido por uma instituição de ensino superior, em Brasília.

Ao comentar os desdobramentos das investigações, Dallagnol citou dois "mitos" em torno da operação. "O primeiro mito é que a Lava Jato vai transformar o País. Ela trata de um câncer, um tumor, o que ela vai conseguir é recuperar o dinheiro desviado, mas o sistema é cancerígeno. Precisamos tratar das condições que favorecem a corrupção no Brasil", ressaltou. "O segundo mito que gostaria de descartar é que um grupo de pessoas vai mudar o País. Nós só mudaremos o País quando nós, sociedade, nos mobilizarmos."

Dallagnol voltou a afirmar que o Brasil é o "paraíso da impunidade", com um ambiente propício ao florescimento da corrupção. "Não podemos perder a nossa capacidade de nos indignar com a injustiça. O caso Lava Jato não vai resolver o problema da corrupção, a mudança de governo não é caminho andado (nesse sentido)", destacou o procurador. "Precisamos depositar nossa confiança não sobre pessoas ou grupos, mas sobre instituições."

Cultura. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, por sua vez, destacou que a "percepção social" em torno da corrupção aumentou no Brasil ao longo dos últimos anos. "O enfrentamento da corrupção produzirá uma mudança cultural muito relevante", destacou Barroso.

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