Lava Jato trará muito aprendizado para Petrobrás, diz ex-presidente da estatal

Graça Foster presta depoimento na CPI da Petrobrás, instalada na Câmara

Bernardo Caram, Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2015 | 10h53

BRASÍLIA - A ex-presidente da Petrobrás Graça Foster, disse nesta quinta-feira, 26, em depoimento à CPI que investiga desvios de verba na estatal, que a Operação Lava Jato já traz "muito aprendizado" para a empresa. Ela afirmou que em 2014, a companhia foi surpreendida pela operação da Polícia Federal.


"A Lava Jato atrasou o nosso balanço e dificulta o acesso ao mercado financeiro", disse, ponderando que, apesar das dificuldades, a Petrobrás bateu uma série de recordes no ano passado. "Batemos recorde de produção de óleo, de gás, de fertilizantes, nossa capacidade de refino cresceu, batemos recorde de geração de energia elétrica", afirmou.


A ex-executiva afirmou que o atual presidente da estatal, Aldemir Bendine, vem fazendo um trabalho intensivo para que a empresa consiga publicar o balanço e "virar essa página", lembrando que está aposentada há cerca de 50 dias e comparece à CPI como cidadã.

Empregos. Foster afirmou que tem uma "preocupação absurda" com a manutenção de empregos na estatal em meio às investigações da Operação Lava Jato.

"A Operação Lava Jato levou a Petrobrás a determinadas situações preventivas em relação à contratação de empresas apontadas como parte de um cartel", disse, ressaltando que, mesmo em processo preliminar de investigação, a empresa não pode manter os contratos com essas empreiteiras.

Ela afirmou que o governo vem atuando fortemente na busca de uma solução para garantir esses empregos que, segundo ela, chegam a 100 mil postos. "Temos que ter racionalidade. O sonho tem hora que tem que ficar de lado", disse. 

Segundo ela, o câmbio atual é inimigo da Petrobrás. "O câmbio acima de três reais é muito ruim para a Petrobrás", afirmou.

A ex-presidente da estatal disse, entretanto, que a empresa ainda consegue manter resultados positivos. "Mesmo assim, temos uma defasagem de preços de combustível que melhora o caixa da Petrobrás", afirmou, em depoimento na CPI da Petrobrás.

A gestora defendeu ainda a exploração do pré-sal. Segundo ela, o pré-sal continua sendo uma grande oportunidade. "É importante que a Petrobrás continue investindo em tecnologia para que continue a ser competitiva", disse. 

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