Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Em inquérito contra Anastasia, Lava Jato pede dados do governo de Minas em 2010

Solicitação da Polícia Federal feita na investigação contra o senador no Supremo quer saber se o governo estadual fez repasses para as empresas do doleiro Alberto Youssef

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2015 | 21h28

Brasília - A Polícia Federal quer identificar eventuais pagamentos emitidos pelo governo de Minas Gerais a empresas do doleiro Alberto Youssef no ano de 2010, quando o Estado foi administrado pelos hoje senadores tucanos Aécio Neves (até março) e Antônio Anastasia (a partir de abril). A solicitação consta em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em junho no qual investigadores pedem a prorrogação da investigação de Anastasia por suposto envolvimento no esquema de corrupção deflagrado pela Operação Lava Jato.

O inquérito de Anastasia é um dos dois únicos que não foi prorrogado até o momento. Apesar de a PF ter feito o pedido por mais prazo, o pedido não foi endossado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Não há decisão do ministro Teori Zavascki sobre o caso. Nos demais inquéritos, o ministro autorizou que as investigações sigam até o final de agosto, conforme pedido por PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Ao solicitar mais tempo de investigação, o delegado da PF Milton Fornazari Junior alega que se faz necessária a prorrogação de prazo, entre outros motivos, "para a identificação das ordens bancárias eventualmente emitidas pelo Estado de Minas Gerais no ano de 2010, em valores superiores a R$ 500 mil, que tenham tido como beneficiárias empresas controladas por Alberto Youssef".

No ano de 2010, Aécio ficou à frente do governo até 31 de março, quando deixou o cargo para concorrer ao Senado Federal. A partir daí até o final do ano, Anastasia, que era seu vice até então, assumiu o governo. Apesar de citado pelo doleiro Alberto Youssef como tendo participação em um esquema de propinas na diretoria da estatal de energia Furnas, Aécio Neves não é investigado na operação.

O agente da PF Jayme Alves Oliveira Filho disse ter entregue R$ 1 milhão para uma pessoa que não se identificou e que tempos mais tarde soube que ganhou a eleição em Minas Gerais. Ao ser confrontado com uma foto do senador Antonio Anastasia (PSDB) pelos investigadores, disse que o parlamentar se parece com quem recebeu o dinheiro enviado pelo doleiro Alberto Youssef. 

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