Laudo pede retirada de moradores de área contaminada

A Secretaria Municipal de Saúde de Paulínia, a 120 quilômetros de São Paulo, informou que irá encaminhar amanhã ao prefeito Edson Moura (PMDB) um relatório preliminar sobre os exames médicos dos moradores do bairro Recanto dos Pássaros, contaminado pela Shell Química do Brasil com defensivos agrícolas. Segundo a médica Cláudia Regina Guerreiro, a Secretaria irá indicar no documento a remoção imediata das famílias que vivem nas 66 chácaras do local. De acordo com ela, há informações conclusivas, apresentadas no laudo, de que os moradores continuam sendo contaminados, apesar do monitoramento da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).Cláudia Guerreiro explicou que o relatório terá informações que comprovam a necessidade de retirada dos moradores e estatísticas sobre os casos de contaminação, mas não quis adiantar dados mais precisos. Também não confirmou a expectativa de 70% de contaminados, inicialmente divulgada, nem o índice cogitado algumas semanas depois, de 82% de doentes. A médica não deixou claro se o índice é maior ou menor que os já anunciados.Os resultados individuais dos exames, conforme Cláudia Guerreiro, não farão parte do relatório e serão entregues pessoalmente aos moradores a partir da próxima semana, quando também serão indicados os tratamentos para cada caso. "Mas o tratamento não terá efeito se as pessoas continuarem expostas à contaminação. A remoção é incontestável" afirmou a médica. O diretor da Procuradoria Jurídica de Paulínia, Washington Carlos Ribeiro Soares, disse que, depois de receber o laudo, o prefeito irá se reunir com uma comissão técnica para discuti-lo. Somente após o encontro encaminhará o material para a Shell e para o Ministério Público.Na reunião, deverá ser definido o prazo que a empresa terá para providenciar a remoção dos moradores, entre uma semana e 15 dias. Caso a Shell se recuse a retirá-los, a prefeitura irá acionar judicialmente a indústria, por meio de uma ação civil pública, e se encarregará de remover as famílias. O local, no entanto, ainda não foi definido. "Contamos com o bom senso da Shell, que tem mais recursos para acomodar os moradores", alegou o diretor. A empresa avisou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está aguardando o relatório para analisar se há necessidade de retirar as famílias do bairro.

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