Beto Barata/AE
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Laudo do perito Molina mostra armação em suborno, diz Dantas

Banqueiro diz que fita foi usada para insinuar suborno a delegado, mas teria sido adulterada: 'Crime não houve'

Ana Paula Scinocca, de O Estado de S. Paulo,

16 de abril de 2009 | 15h33

Munido de um laudo produzido pelo perito Ricardo Molina, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o banqueiro Daniel Dantas apresentou nesta quinta-feira, 16, à CPI dos Grampos, na Câmara, um documento no qual sustenta não ter havido flagrante de oferta de US$ 1 milhão a um delegado da Polícia Federal durante a Operação Satiagraha. Dantas foi condenado pelo juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal, a dez anos de prisão por corrupção ativa e ao pagamento de multa de R$ 12 milhões.

 

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Segundo a denúncia do Ministério Público, Dantas teria utilizado Humberto Braz e Hugo Chicaronni para tentar subornar o delegado Victor Hugo Ferreira e, dessa forma, tirar seu nome das investigações da Satiagraha. "Isso é uma armação. Esse crime não houve", disse Dantas.

 

O laudo apresentado por Dantas mostra que a voz flagrada na tentativa de suborno não é de Braz. Apesar do empresário aparecer nas imagens que flagraram a cena do crime, Dantas disse que a fita foi utilizada para insinuar o suborno, mas teria sido adulterada para que as vozes não coincidissem com as imagens.

 

"A conversa sobre o dinheiro ocorreu quando o Braz estava no banheiro. A voz não é do Humberto Braz, está aqui na gravação. Ele foi ao banheiro, o delegado chama o cinegrafista para filmar o flagrante. Esse é o espírito da operação controlada. Mas não fizeram o flagrante", afirmou.

No laudo, Molina afirma: "a atribuição das falas no trecho comentado ao interlocutor Humberto Braz é um ato arbitrário, sem qualquer fundamento técnico".

 

Molina diz, ainda, que a gravação apresentada pela PF é de "péssima qualidade" e que 78,7% das falas da gravação não foram transcritas no relatório apresentado pela PF.

 

Dantas disse que a PF destruiu provas do suposto flagrante de suborno ao depositar US$ 1 milhão oferecido ao delegado na Caixa Econômica Federal. "Na prisão do dinheiro, o natural seria identificar de onde o dinheiro saiu, como pediu o Ministério Público. A Polícia Federal destrói a prova. A cédula foi depositada no banco, misturou as cédulas. Não tem como saber de onde vem o dinheiro", disse.

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