Larry Rohter diz na Argentina que não está fugindo

O correspondente do do The New York Times no Brasil, Larry Rohter, autor da polêmica reportagem sobre uma suposta preocupação nacional com os hábitos etílicos do presidente Lula, está em Buenos Aires, onde o jornal americano mantém uma base. Em seu apartamento no centro da capital argentina, Larry Rohter atendeu ao interfone e manteve um rápido diálogo com jornalistas brasileiros, incluindo a correspondente da Agência Estado, mas não quis se estender na conversa. "Não estou fugindo", disse Rother, que preferiu não falar sobre a reportagem e o cancelamento do seu visto de permanência no País, que acabou sendo revertido pelo governo brasileiro.Segundo Rohter, "a declaração na sexta-feira do New York Times diz tudo o que é necessário", referindo-se à nota do jornal americano que se diz "satisfeito" com a decisão do governo brasileiro em reverter o cancelamento do visto, mas em nenhum momento retifica o teor da reportagem. O correspondente do jornal norte-americano considera que o assunto "já passou". Indagado se durante todo o tempo, desde que a polêmica teve início, ele esteve em Buenos Aires ou se foi ao Brasil, em algum momento, Rohter afirmou que "preferia não responder". Também questionado por quanto tempo ficaria na Argentina, ele respondeu que permaneceria no país "enquanto houver notícia".O New York Times possui um escritório em Buenos Aires, e Larry Rohter já foi correspondente na Argentina, onde também criou polêmicas com suas reportagens. Uma delas, em 2002, citava uma suposta pesquisa que revelava um "desejo de independência" por parte de 53% dos habitantes da província argentina da Patagônia.Rohter não citou quem teria realizado a pesquisa, mas a notícia de que mais da metade da população local queria a independência da Patagônia provocou um sentimento de indignação entre os argentinos e muitas suspeitas sobre a intenção da reportagem, já que a região é estratégica por ser produtora de petróleo e de gás e por ser uma das maiores reservas ecológicas do país. Outra reportagem polêmica de Larry Rohter, também em 2002, acusava o ex-presidente Carlos Menem de ter recebido US$ 10 milhões do governo do Irã para ocultar as supostas provas que envolviam os iranianos no atentado a bomba contra a sede social israelita (Amia), em 1994.

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