"Laranja" da Sudam vive na miséria, diz advogado

O ex-proprietário da Empresa Álcool Brasileiro S/A (Alcobras), José Alves Pereira Neto, estará em Rio Branco nos próximos dias, para prestar depoimento no inquérito em que a Polícia Federal investiga fraudes em projetos da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Tido pela Procuradoria-Geral da República como "laranja" de um esquema que desviou R$ l50 milhões do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam), Pereira Neto vive, segundo seu advogado Jorge Araken, na mais absoluta miséria em Natal (RN), onde trabalharia como vendedor de cachorro quente e moraria de favor na casa do irmão, um juiz de Direito. Parentes de Pereira Neto telefonaram esta semana para Jorge Araken pedindo que se fizesse interlocutor do acusado junto à Procuradoria. "Ele quer mostrar ao País que vive na miséria", disse Araken. Formado em Economia, o ex-usineiro empobreceu quando a Alcobras vedou as caldeiras, por falta de matéria-prima. Depois de movimentar R$ 800 milhões na instalação da usina, Pereira descobriu que a cana-de-açúcar produzida no Acre não era adequada para fazer álcool anidro. "Ele nada deve a ninguém porque nada possui. O banco tomou tudo", afirmou o advogado.Além de pobre, Pereira estaria aleijado, em conseqüência de um diabete. A doença o obrigou a amputar parte do pé direito. Investigação da Procuradoria descobriu que a Alcobras foi comprada do Banco do Brasil em l997 pela empresa Iepê Empreendimentos Ltda, do Grupo Incal, envolvido no escândalo do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Por ordem da Justiça Federal paulista, o patrimônio da Alcobras está acautelado em nome de dois gerentes do BB em Rio Branco.

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