Land Rover derrubou Silvio Pereira, o gerente do mensalão

A vida de Silvio José Pereira, o secretário-geral do PT que negociava cargos com partidos da base aliada logo após a eleição de Lula, começou a desmoronar após ser acusado pelo então deputado Roberto Jefferson de comandar as nomeações no governo e ser apontado pelo publicitário Marcos Valério como o "gerente do mensalão".Em julho de 2005, ele depôs na Polícia Federal e levantou suspeitas sobre o seu patrimônio de R$ 650 mil (duas casas - uma em Ilha Bela, litoral paulista - e um veículo Land Rover) com uma renda mensal R$ 9 mil. Dias depois, descobriu-se que o Land Rover, avaliado em R$ 74 mil, havia sido dado de presente pela empresa GDK, que tem negócios com o governo. Silvio Pereira.Em depoimento à CPI dos Correios, dia 19 de julho de 2005, protegido por um habeas corpus para não responder sobre o seu patrimônio, tentou convencer que tinha pouco poder no partido e declarou que não se encontrava com o presidente Lula "há anos". Ele também negou conhecer os empréstimos de Marcos Valério e o esquema de caixa dois nas campanhas eleitorais petistas. Disse que não lembrava se havia ou não viajado no avião particular de César Oliveira, dono de uma das mais importantes prestadoras de serviço da Petrobras, a GDK Engenharia. ?Não lembro se viajei no avião do senhor César Oliveira. Mantive contatos institucionais com ele?, disse na CPI dos Correios. Em seguida, foi evasivo quando indagado se Land Rover era um presente do empresário. ?Não falarei sobre meu patrimônio, por orientação dos meus advogados?.Silvio Pereira pediu desfiliação do partido dia 4 de julho, um dia depois de o vice-presidente da GDK confirmar que presenteou o petista com o Land Rover. Ele decidiu se antecipar. Se não saísse, seria expulso na reunião do diretório nacional, em 6 e 7 de agosto.Em carta ao presidente do PT, Tarso Genro, Pereira pediu desculpas à militância: ?Cometi erro. Não me esconderei sob o manto da hipocrisia. (... ) Tenho clareza, no entanto, que falhei com obrigações partidárias ao aceitar a situação?. Dois meses antes da crise do mensalão, ele disse que o PT tinha um projeto de poder para no mínimo dois mandatos. ?Não dá para separar PT e governo. Todos nós estamos no mesmo barco: se o governo Lula der certo ou der errado vai significar que o PT deu certo ou deu errado.?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.