Lançamento de livro sobre Sarney acaba em briga no Maranhão

Segundo o presidente estadual do PT, pessoas ligadas ao governo de Roseana Sarney participaram da ação

Rodrigo Alvares, do estadao.com.br,

05 Novembro 2009 | 17h49

Cerca de dez jovens causaram confusão na noite da última quarta-feira, 4, no auditório do Sindicato dos Bancários durante o lançamento do livro "Honoráveis Bandidos", de autoria do jornalista Palmério Dória. Em entrevista ao estadao.com.br, o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA) disse nesta quinta-feira, 5, que cerca de cinco pessoas ficaram feridas e que os manifestantes queriam agredir o ex-governador Jackson Lago (PDT), cassado em abril deste ano.

 

"O pessoal da organização contratou uma empresa de outdoor para divulgar a data de lançamento do livro. Dois dias depois da propaganda ir às ruas, ela foi retirada e o dinheiro devolvido", afirmou. Dutra também acusou os estudantes que participaram do protesto de serem financiados pelo governo estadual. Ainda segundo o deputado, uma das manifestantes deixou sua bolsa no local.

 

A presidente da Federação dos Estudantes do Maranhão (Fesma), Ana Paula Ribeiro, nea as acusações. "O nosso protesto foi pacífico, mas eles iniciaram a bagunça com ponta pés e outros tipos de agressões", acusou

 

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Presidente estadual do PT, Dutra registrou queixa em delegacia na região central de São Luís, onde entregou os pertences da agressora - que estaria lotada na Secretaria de Esportes do Maranhão - ao delegado Tarcísio de Jesus Fonseca. Um inquérito policial será aberto no 1º DP para investigar o caso.

 

O secretário de Esportes, Roberto Costa (PMDB), é acusado por Dutra de participação no episódio. "A gente não teve nenhuma participação nisso", rechaçou Costa. De acordo com ele, o incidente na sede do sindicato foi de responsabilidade exclusiva de militantes ligados à União Municipal de Estudantes Secundaristas (Umes) e à Federação da Juventude Maranhense (Fejuma).

 

Costa também negou qualquer envolvimento de funcionários do governo maranhense, e acrescentou não concordar "com nenhum tipo de violência". Entretanto, o secretário disse ao estadao.com.br ter informações sobre estudantes que também teriam sido agredidos pelos realizadores do evento e pelo ex-governador Jackson Lago.

 

O Sindicato dos Bancários do Maranhão publicou nota nesta quinta-feira em seu site repudiando a invasão à sede da entidade:

 

"O Sindicato dos Bancários do Maranhão repudia a imposição de pontos de vista, opiniões ou defesas sem espaço para o debate democrático e civilizado. Quando isso se dá por meio da violência o nosso repúdio é veemente.

 

Os atos de vandalismo provocado por 10 a 15 baderneiros, quando da ocasião de lançamento do livro ‘Honoráveis Bandidos’ do jornalista Palmério Doria, nessa quarta-feira (04/11) em nossa sede, relembra os tristes fatos históricos das décadas de 50 e 60 em nosso Estado, que acreditávamos sucumbidos. Naquela época, prevalecia no Maranhão a lei da força bruta, da intolerância, em que as diferenças eram resolvidas pela pancadaria.

 

Além de rechaçar a violência de ontem, a categoria bancária se sente violentada por ter itens de seu patrimônio, conquistado com a contribuição sindical de anos e de gerações de trabalhadores, destruído, quebrado (porta principal, cadeiras, quadro). O valor financeiro de uma nova porta para a entrada da sede de nossa entidade não nos entristece mais do que ver a instituição Sindicato dos Bancários do Maranhão, espaço democrático de tantas categorias, desrespeitada de forma desmedida pelos baderneiros.

 

A direção do Sindicato espera que a polícia apure e puna exemplarmente os vândalos, que agem em interesse próprio ou de terceiros, de forma que não se sintam estimulados a usar a violência, fruto da intolerância e da antidemocracia."

 

Com informações de Wilson Lima, especial para o Estado

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