Lamoglia depõe hoje no Senado sobre violação

A violação do painel de votações do plenário do Senado continuará no centro dos debates políticos nesta semana. Estão marcados para hoje os depoimentos de Domingos Lamoglia e Nilson Ribeiro ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP). Lamoglia é o assessor do ex-líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), acusado pela ex-diretora-executiva do Prodasen, Regina Célia Borges, de ter sido o intermediário da lista com os votos secretos dos senadores no processo de cassação do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF).Ribeiro foi assessor de Estevão e seu depoimento foi sugerido porque ele teria comentado que ouviu, na véspera da cassação, rumores de uma possível violação do painel. A expectativa fica por conta do depoimento de Lamoglia. Se ele confirmar ter recebido a lista será inevitável um processo de cassação. Se negar de forma convincente, as coisas podem melhorar para Arruda. Se não convencer, a expectativa continuará. O depoimento de Lamoglia poderá ser uma prévia das explicações que Arruda deverá prestar ao Conselho de Ética, talvez na próxima quinta-feira.Durante o final de semana, circularam informações de que, revoltado pelo abandono do seu partido e do governo, o ex-líder estaria ameaçando denunciar outros casos de violação do painel, que poderiam levar a crise de volta ao Palácio do Planalto. Os articuladores políticos do governo devem iniciar hoje um processo de consultas para decidir o que fazer diante da crise e como se colocar. A preocupação maior é com a paralisia do Congresso.O líder interino do governo no Senado, Romero Jucá (PSDB-RR), estará empenhado esta semana em aprovar o projeto que cria a Agência Nacional de Transportes na Comissão de Infra-estrutura e, se possível, no plenário. "Temos que fazer um esforço para retomar rapidamente o andamento normal das coisas pois já estamos chegando ao final do semestre", lembra o senador.Além da apuração da violação do painel - envolvendo também o ex-presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), o Senado está abalado com o cerco de denúncias envolvendo o seu presidente, Jader Barbalho (PMDB-PS), sócios e familiares com desvio de recursos no âmbito da Sudam. O caso da violação do painel desviou um pouco o foco, mas a situação de Barbalho está ficando mais complicada a cada dia, podendo detonar uma crise interna no PMDB, complicando ainda mais a situação da coalizão governista.

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