Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Lamentavelmente, Brasil amanhece um país cuja democracia está enfraquecida

Segundo ministro, o afastamento da presidenta Dilma não significará, 'de maneira nenhuma, resignação', que eles continuarão trabalhando 'para que essa imensa injustiça cometida seja revertida'

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 07h42

BRASÍLIA - O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, afirmou em nota que a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma "é um golpe irreparável" e anunciou a sua demissão da pasta. "Lamentavelmente, o Brasil amanhece hoje um país cuja democracia está enfraquecida. Este desvirtuamento dos procedimentos pelas próprias instituições brasileiras tem um só nome: golpe irreparável contra a ordem democrática", disse.

Segundo Edinho, o afastamento da presidenta Dilma não significará, "de maneira nenhuma, resignação", que eles continuarão trabalhando "para que essa imensa injustiça cometida seja revertida" e que a presidente não tem o perfil de desistir. "Dilma acredita nas causas pelas quais lutou toda a vida e irá até o fim na busca por justiça e na defesa da democracia. Sem dúvida, neste percurso, terá ao seu lado uma verdadeira legião de militantes, apoiadores e simpatizantes engajados na causa democrática", disse. "A luta é longa."

Ao comunicar que deixa a partir de hoje o cargo de ministro-chefe da Comunicação Social da Presidência da República, Edinho disse ter feito parte de um governo "comandado por uma mulher honesta e honrada, injustamente afastada do cargo". "Estou convicto de que, nos 14 meses em que estive à frente deste ministério no governo Dilma, cumpri meu dever como homem público com dedicação e lisura, preceitos que têm orientado minha vida", afirmou.

O petista disse ainda que "há três décadas" faz parte de um projeto de país do qual se orgulha. "Um projeto, com Lula e Dilma, que tirou milhões de brasileiros da miséria e que promoveu crescimento com justiça social", afirmou.

Para Edinho, a decisão tomada hoje pelo Senado é um "passo atrás" e torna ainda mais necessário "um pacto entre os brasileiros para defender os avanços históricos". "É urgente a construção de uma aliança nacional, na busca das reformas, iniciando-se pela reforma político-partidária, tornando o Brasil mais republicano, politicamente mais participativo e representativo", afirmou, ressaltando que é preciso "superar as mazelas do nosso modelo de financiamento político-eleitoral e partidário." 

Confira a íntegra da nota:

A admissão deste processo ilegal de impeachment da presidenta Dilma Rousseff pelo Senado, na manhã desta quinta-feira, é um inaceitável desrespeito à Constituição e à vontade do povo brasileiro. As regras do jogo democrático estão sendo desrespeitadas e o voto popular, ignorado. Lamentavelmente, o Brasil amanhece hoje um país cuja democracia está enfraquecida. Este desvirtuamento dos procedimentos pelas próprias instituições brasileiras tem um só nome: golpe irreparável contra a ordem democrática.

O afastamento da presidenta Dilma não significa, de maneira nenhuma, resignação. Continuaremos trabalhando para que essa imensa injustiça cometida seja revertida. Dilma acredita nas causas pelas quais lutou toda a vida e irá até o fim na busca por justiça e na defesa da democracia. Sem dúvida, neste percurso, terá ao seu lado uma verdadeira legião de militantes, apoiadores e simpatizantes engajados na causa democrática.

Deixo, nesta quinta-feira, o cargo de ministro-chefe da Comunicação Social da Presidência da República. Estou convicto de que, nos 14 meses em que estive à frente deste ministério no governo Dilma, cumpri meu dever como homem público com dedicação e lisura, preceitos que têm orientado minha vida.

Integrei um governo comandado por uma mulher honesta e honrada, injustamente afastada do cargo para o qual foi eleita por 54 milhões de brasileiros. Contribuí, como o faço há três décadas, com um projeto de país do qual me orgulho muito. Um projeto, com Lula e Dilma, que tirou milhões de brasileiros da miséria e que promoveu crescimento com justiça social. Um projeto que colocou o Brasil "em pé" perante o mundo, inaugurou na nação o orgulho em ser brasileiro.

A democracia no Brasil deu um passo atrás. Agora, mais do que nunca, é preciso um pacto entre os brasileiros para defender os avanços históricos. Penso que podemos nos entender e progredir na defesa intransigente da justiça social e da verdadeira democracia. É urgente a construção de uma aliança nacional, na busca das reformas, iniciando-se pela reforma político-partidária, tornando o Brasil mais republicano, politicamente mais participativo e representativo. Temos que, definitivamente, superar as mazelas do nosso modelo de financiamento político-eleitoral e partidário.

Podemos vencer a doença da intolerância, o autoritarismo e o ódio. Podemos construir um Brasil forte, que cresça gerando empregos e justiça social. Podemos, respeitando as nossas diferenças, construir um Brasil verdadeiramente justo e democrático. É o que desejo para todos nós. A luta é longa.

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