Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Lago resiste à decisão do TSE e não deixa Palácio dos Leões

Mesmo com liminar negada pelo STF, governador do Maranhão realiza festa "balaia" em sede do governo

Wilson Lima, especial para O Estado,

17 de abril de 2009 | 19h32

Mesmo após a confirmação da cassação de seu mandato tanto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Jackson Lago ainda não deixou a residência oficial do Palácio dos Leões, sede do governo do estado. Com a inédita postura de Lago, a governadora empossada Roseana Sarney (PMDB) é obrigada a trabalhar em sua residência.

 

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A ocupação do Palácio dos Leões aconteceu na madrugada desta sexta-feira, 17, tanto por Lago, quanto por aproximadamente 500 militantes do PDT, ligados ao Movimento Sem Terra (MST) e a Via Campesina, autodenominados "balaios" (em alusão a um movimento social ocorrido na cidade de Caxias, no interior do Maranhão do século XIX). A ocupação foi comandada pelo próprio Lago com apoio direto do deputado federal Domingos Dutra (PT) e do deputado estadual Valdinar Barros (PT). Lago justificou o ato extremo como uma prova de resistência do povo contra a decisão do TSE. "Se sairmos aos poucos, daremos sinal de que nossa luta acabou. Nós precisamos resistir", alegou o ex-governador cassado. A decisão de ficar no Palácio dos Leões foi tomada durante reunião ocorrida entre Lago e 15 deputados federais e estaduais após a confirmação da cassação de seu mandato.

 

Os manifestantes ficaram nos jardins do Palácio dos Leões. Foram montadas barracas e um palco livre para que qualquer um manifestante tivesse oportunidade de cantar sua "revolta pela tentativa de golpe". Entre os cantores que se apresentaram durante o protesto, estavam o compositor maranhense César Teixeira e o ex-secretário de Cultura, Joãozinho Ribeiro. E entre as músicas mais tocadas no acampamento, estavam "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores", de Geraldo Vandré. "O Maranhão avançou muito nos últimos dois anos. Tivemos um governo realmente democrático. Não podemos perder isso", repetia Ribeiro a cada música. A estrutura, conforme a organização da manifestação (Movimento pela Democracia), foi financiado por doações.

 

Além disso, nos muros do Palácio dos Leões, partidários de Jackson Lago estenderam faixas com frases como "Sarney nunca mais" ou "Ela quer roubar meu voto", em alusão à Roseana Sarney. Nos demais cômodos da residência oficial, foi montado um forte esquema de segurança. Apenas políticos e pessoas ligadas ao governador tiveram acesso aos demais cômodos. Apesar da invasão, até o fechamento desta matéria, não houve depredação do patrimônio.

 

Lago reafirmou que somente irá deixar o palácio quando obtiver uma posição favorável do STF contra a posse de Roseana Sarney. A própria Roseana Sarney informou por meio de sua assessoria que não irá utilizar a força para tirar Lago do Palácio. Entretanto, Roseana Sarney deverá comunicar oficialmente o fato ao TSE. Além disso, Lago gravou uma mensagem contra a decisão do TSE, e determinou a veiculação da mensagem em carros de som pelo centro de São Luís. Na mensagem, Lago afirmava. "Eles ficaram ricos e montaram TV's e jornais. Agora, eles estão de volta ao poder", em referência à família Sarney.

 

O conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Maranhão (OAB-MA), por sua vez, emitiu uma nota na tarde de ontem condenando a "desobediência (de Lago) à decisão do Tribunal Superior Eleitoral". Na nota, assinada pelo presidente da OAB-MA, José Caldas Góis, afirmou que a "irresignação contra decisões judiciais não pode ensejar o uso de violência". "As decisões judiciais são passíveis de irresignação por meio dos recursos previstos em lei, objetivando a sua reforma pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, e devem ser cumpridas por todo jurisdicionado, não sendo permitido resistência a elas fora do sistema processual legal", declara o presidente da OAB-MA.

 

No momento da ocupação, uma equipe da TV Mirante, afiliada da Rede Globo, foi agredida por manifestantes pró-Lago. A ação foi criticada pelo Sindicato dos Jornalistas e dos Jornalistas do Maranhão também por meio de nota oficial.

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