Lafer vê possibilidade de financiamento ao terrorismo no País

O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, reconheceu que a região de Foz do Iguaçu, na fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai, pode estar envolvida em operações de financiamento do terrorismo internacional. Trata-se da primeira vez, desde os atentados do grupo Al-Qaeda aos Estados Unidos, em 11 de setembro, que uma autoridade brasileira admite a possibilidade de essa região cooperar com tais atividades. Lafer, entretanto, sublinhou várias vezes que o governo estará disposto a avaliar apenas "informações precisas" sobre o assunto, e não meras suspeitas."É uma área que pode ter algum tipo de problema. Mas, até ontem, eu não havia recebido nenhum dado concreto", afirmou o ministro, que participa em Lima da 11ª Reunião de Cúpula Iberoamericana. "Lavagem de dinheiro é um tema de preocupação do governo brasileiro. A possibilidade existe. Por isso, o governo criou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)", completou, ao ser questionado sobre o conteúdo de reportagem publicada nesta semana pela revista americana Time.O texto afirma que parte do dinheiro das atividades de contrabando na região de Foz do Iguaçu é destinada ao financiamento do grupo Al-Qaeda, que também receberia dinheiro da Tanzânia e do Oriente Médio. No último dia 8, o presidente Fernando Henrique Cardoso encontrou-se com o presidente americano, George W. Bush, mas saiu da reunião alegando que ambos haviam dedicado "tempo zero" para as suspeitas sobre Foz do Iguaçu.FHC ainda havia declarado que, até aquele momento, não havia comprovação de uma "ação efetiva" naquela fronteira. Mas indicou que há preocupação com a lavagem de dinheiro. Na mesma visita aos Estados Unidos, o general Alberto Cardoso, ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, manteve reuniões com os órgãos americanos de segurança. Lafer deixou claro o cuidado com o qual o governo brasileiro lida com essa questão, para evitar julgamentos precipitados, principalmente em relação à comunidade de origem árabe que vive na região - cerca de 15 mil habitantes. Conforme afirmou, trata-se de uma matéria "delicada". Ao mesmo tempo, o ministro enfatizou a preocupação dos órgãos federais que estão envolvidos nas investigações sobre movimentação financeira naquela área - como a Polícia Federal - sobre as possíveis operações de lavagem de dinheiro destinadas ao financiamento de grupos terroristas. O chanceler lembrou ainda que esses mesmos órgãos têm mantida estreita colaboração com seus pares na Argentina e no Paraguai. Por conta de suspeitas na região do Chuí (RS), na fronteira do Brasil com o Uruguai, também há cooperação com as autoridades uruguaias.Hoje, os 21 líderes iberoamericanos reunidos em Lima assinam uma declaração em separado contra o terrorismo. O texto recomenda a cooperação regional para a troca de informações, a detenção e o processo judicial de suspeitos, a extradição e a punições de autores, organizadores e patrocinadores de atos terroristas.

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