Lafer manda apurar denúncia sobre golpe no Chile

O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, determinou hoje a apuração da denúncia de que o golpe militar contra o ex-presidente do Chile Salvador Allende, em 1973, foi decidido e preparado numa reunião ocorrida na Embaixada do Brasil em Santiago. A denúncia, feita pelo prefeito do Rio, César Maia (PFL), em artigo publicado na semana passada pelo Jornal do Brasil, causou constrangimento ao governo brasileiro.O presidente Fernando Henrique Cardoso, por meio de seu porta-voz, George Lamaziére, insistiu na apuração dos fatos. "O governo acha que a história do País deve ser passada a limpo e, caso algum ato, porventura, tenha sido praticado contra o espírito democrático, deve ser trazido à luz e ser repelido."Lafer informou que pediu, "imediatamente, que fossem levantados no arquivo do Itamaraty as informações que existam sobre o assunto". "Faço questão que a denúncia seja apurada, inclusive porque fiz parte da resistência democrática ao regime autoritário", completou.Com essa iniciativa, Lafer antecipa-se ao pedido de informações oficiais sobre a denúncia de Maia, que será remetido nesta semana pelo Ministério de Relações Exteriores do Chile ao governo brasileiro. Por enquanto, o Itamaraty não informa se, na apuração do caso, serão tomados os depoimentos de diplomatas e demais funcionários públicos que serviram em Santiago em 1973. Na época, a representação do Brasil no Chile era conduzida pelo embaixador Câmara Canto.No artigo, Maia afirma que a reunião do grupo conspirador ocorreu em paralelo às celebrações cívicas de 7 de setembro. O prefeito menciona que foi preparada uma sala especial para o encontro. O golpe de Estado foi marcado para 11 de setembro. Allende foi assassinado no palácio presidencial de La Moneda, dando início ao regime militar que se estendeu até 1989, sob a liderança do general Augusto Pinochet.De acordo com Maia, a partir da eleição de Allende, em 1970, as famílias mais ricas do Chile entraram em pânico e passaram a usar cômodos da embaixada brasileira como depósito de bens valiosos - jóias, casacos de pele, obras de arte. O ex-presidente chileno havia sido eleito por uma coalizão de esquerda, com 34% dos votos. Para o prefeito, os diplomatas brasileiros ainda se envergonham desses fatos, mesmo os que não estavam nos quadros do Itamaraty naquela época.

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