Lacerda vai para Abin e secretário de Segurança assume PF

Substituição de atual diretor por Corrêa era esperada desde que Tarso assumiu Ministério da Justiça

Vannildo Mendes, do Estadão, e Ricardo Amaral, da Reuters,

29 de agosto de 2007 | 21h17

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o atual diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, para dirigir a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Para o lugar de Lacerda na PF, Lula chamou o secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa. O atual diretor da Abin, Marcio Buzzanelli, foi comunicado de que está fora pelo ministro-chefe do Gabinete da Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix. Segundo a Secretaria de Imprensa da Presidência, os convites foram feitos e aceitos no final da tarde desta quarta-feira em reunião da qual participou também o ministro da Justiça, Tarso Genro. A substituição de Paulo Lacerda por Corrêa, que é delegado de carreira da PF, era esperada desde março, quando Tarso Genro assumiu o Ministério da Justiça no lugar de Márcio Thomaz Bastos.    Corrêa é ligado ao PT, foi indicado para a Secretaria de Segurança Pública pelo ex-ministro José Dirceu e tem apoio das bases corporativas da Polícia Federal. Mas não conta com o apoio da maioria dos delegados. Para o lugar de Corrêa é cotado o nome do ex-deputado petista Antonio Carlos Biscaia (RJ), atual secretário nacional de Justiça; e para esta secretaria, o nome mais forte é o do ex-deputado do PT Sigmaringa Seixas (DF).  Lacerda, que já havia manifestado o desejo de sair da Polícia Federal, acabou aceitando o cargo que, por toda a vida, sempre disse querer distância. Em várias confidências feitas ao longo da carreira, ele sempre dizia que na sua opinião tudo estava errado na Abin. Por isso, é provável que a Abin seja reformulada. Lacerda chegou a ser convidado para dirigir a nova estrutura do Ibama, mas o presidente Lula pediu que ele permanecesse no cargo até o fim dos Jogos Pan-Americanos. Luiz Fernando Corrêa coordenou o trabalho de Força Nacional de Segurança no Rio antes e durante os jogos. Credibilidade A saída de Lacerda desencadeará também uma reformulação interna na PF, abrangendo mudança no modo de atuação e alternância do grupo que comandou o órgão nos últimos anos. Ao conversar com Lacerda, o presidente Lula agradeceu a atuação da PF nos últimos anos. E lembrou-se de que uma recente pesquisa de opinião aponta a PF como o órgão que a sociedade acredita que efetivamente combate a corrupção.  Realizada entre 7 e 9 de agosto pelo Ibope junto a 1.400 entrevistados por telefone em todo o País, a pesquisa revela que 69% da população confiam na PF, contra 26% que dizem não confiar. A Polícia Militar ficou com 50% de aprovação, contra 47%, índice pouco melhor que a Polícia Civil, cujo percentual dos que confiam (48%) é praticamente igual aos dos que não confiam (47%). A justiça ostentou uma desonrosa lanterna, com 33% de aprovação, contra 63% dos que disseram não confiar. No final do primeiro mandato de Lula, Lacerda anunciou que deixaria o comando da PF junto com o chefe, o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Mas acabou concordando em ficar mais um ano para apaziguar as disputas internas e coordenar uma sucessão tranqüila, meta que até agora ele não conseguiu. Os dois principais postulantes ao cargo, os delegados Renato da Porciúncula, chefe da inteligência e Zulmar Pimentel, diretor-executivo, engalfinharam-se na disputa e acabaram se inviabilizando. No vácuo, Corrêa ganhou espaço. Gaúcho, como Tarso, ele fortaleceu-se com sua atuação como coordenador da segurança dos Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio, em julho. Ele teve papel destacado na localização e captura dos dois boxeadores cubanos, Guilhermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que desertaram e foram deportados pelo governo do Brasil.

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