Lacerda quer 'padrão de iniciativa privada' no Incra

A presidente Dilma Rousseff orientou o novo presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lacerda, a mudar a gestão da autarquia, com ênfase para resultados e menos burocracia. Isso ficou claro no discurso de posse de Lacerda, hoje, em Brasília.

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

29 de março de 2011 | 19h48

"No governo Lula, começamos a melhorar", disse Lacerda. "No governo Dilma, vamos qualificar a gestão do Incra, nos padrões da iniciativa privada, com gastos cada vez menores e produtividade cada vez maior". Ele afirmou que recebeu a determinação da presidente quando foi convidado a assumir a presidência do Incra.

Indicado para o cargo pela senadora Gleise Hoffmann (PT-PR) e pelo deputado Doutor Rosinha (PT-PR), Lacerda não é funcionário de carreira do Incra. Milita no PT desde 1994 mas, ao contrário do que circulou nos corredores da instituição, não pertence à corrente esquerdista Democracia Socialista (DS), à qual estão ligados o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e o deputado Rosinha.

O próprio Afonso Florence não parece estar disposto a adotar um discurso radical em defesa da reforma agrária, como defende a corrente à qual é ligado. Indagado sobre sua posição a respeito da atualização dos índices de produtividade das propriedades - o que é defendido pela esquerda e repudiado pelo agronegócio, que vê nessa iniciativa uma forma de abrir o leque para desapropriações de terras produtivas -, Florence foi esquivo.

"A presidente Dilma determinou que a Embrapa faça esse índice. E a Embrapa é subordinada ao Ministério da Agricultura e não ao MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário). Portanto, não cabe a mim ficar falando qual deve ser o índice. Eu sou um funcionário do governo e devo obediência ao que a presidente determinar. Cumpro o que o governo decidir", disse Florence, logo depois da cerimônia de posse de Celso Lacerda.

No discurso que fez, além de dizer que o Incra precisará ter uma gestão semelhante à da iniciativa privada, Lacerda afirmou que vai cumprir todas as diretrizes determinadas pela presidente Dilma Rousseff. Por exemplo: não apresentar metas de assentamento que não possam ser cumpridas. "Não queremos nada inalcançável".

Ele afirmou que será preciso levar a tecnologia para os assentamentos, abrir estradas, fazer milhares de casas para os assentados. "Isso nos ajudará a fazer mais com menos", disse. Lacerda considerou que com os R$ 4 bilhões de orçamento para este ano, será possível cumprir todas as metas estabelecidas pela presidente, mesmo sabendo que deverão ocorrer cortes entre 17% e 20% nos recursos.

Mesmo com todo discurso dos dirigentes do MDA e do Incra a respeito das ordens da presidente Dilma para que seja mudada a gestão da autarquia, este é um dos mais importantes feudos do PT. Das 30 superintendências no País, 26 são dominadas pelo partido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.