Lacerda prega papel nacional para Minas

Prefeito eleito de BH diz que Estado deve ocupar espaço ''mais relevante''

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2008 | 00h00

O prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), cuja candidatura foi apoiada pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), defendeu que Minas volte a "ocupar um espaço mais relevante na política nacional". "Essa aliança que se construiu aqui entre adversários tradicionais é uma sinalização de que a política mineira pode fazer no plano nacional", afirmou ontem à TV Globo.Lacerda disse que iniciará hoje a montagem de sua equipe de transição. Apoiado por ampla coligação, promete não fazer loteamento de cargos. A expectativa é em relação ao retorno do PSDB ao Executivo municipal após 16 anos de hegemonia petista, iniciada quando o hoje ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, sucedeu Eduardo Azeredo. O socialista encabeçou uma coligação de 12 partidos, além da legenda tucana e do PPS, que foram obrigados a declarar apoio informal por conta do veto da Executiva Nacional do PT.Um dia após a eleição de Lacerda, o prefeito Fernando Pimentel admitiu ontem que a tese política da convergência apregoada por ele e por Aécio representa uma exceção e ninguém deve ter a ilusão de que possa se repetir nas próximas disputas. Ameaçado de punição pela direção nacional do PT, o prefeito iniciou um movimento de reconciliação com as lideranças dissidentes em Minas e a cúpula do partido, que se opuseram ao polêmico acordo com o governador.Pimentel garantiu que não vai brigar com Patrus em torno da candidatura para o governo do Estado em 2010. E incorporou o discurso do ministro, afirmando que a maior tarefa futura do PT é colocar em prática o "projeto nacional" de eleger "o sucessor ou a sucessora do presidente Lula". "Aqueles que esperam uma disputa interna, uma guerra, uma luta dentro do PT em torno dessa questão da candidatura para governador vão se equivocar, vão se enganar." Pimentel conversou ontem por telefone com o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e ligou para Lula. "Vocês passaram um aperto aí", provocou o presidente. Em entrevista à Rádio CBN, Patrus também assumiu discurso conciliador. Disse que terá uma relação "institucional e republicana" com o prefeito eleito. Disse não considerar que o partido saiu dividido em Minas entre ele e Pimentel. "Devemos evitar que o PT se transforme em um partido setorizado." Patrus e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci - também elogiado por Pimentel -, foram os principais críticos da aliança com Aécio."O caso de Belo Horizonte é claramente uma exceção", explicou o prefeito. "Temos de ter a clareza para não ficar achando que em toda eleição agora nós vamos estar juntos." Contudo, saiu em defesa do governador. Disse discordar que ele tenha saído enfraquecido da disputa com o colega José Serra (SP) para a indicação do próximo presidenciável tucano.

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