Lacerda nega ter transportado dinheiro do dossiê

Hamilton Lacerda, ex-assessor da campanha do senador Aloizio Mercadante, negou ter conhecimento do dinheiro apreendido pela Polícia Federal em depoimento à CPI dos Sanguessugas nesta terça-feira. Ele é apontado como o ´homem da mala´ que transportou o R$ 1,75 milhão que seria usado na negociação."Não transportei, não manipulei e não levei qualquer numerário ao Hotel Íbis", afirmou Lacerda, ao informar que as malas que levou ao hotel continham boletos de campanhas e roupas suas para Gedimar Passos, advogado e ex-policial preso no hotel com parte do dinheiro.Lacerda afirmou que sua participação no escândalo limitou-se a contatos com a revista "IstoÉ" para intermediar a entrevista com Darci e Luiz Antonio Vedoin, donos da Planam, empresa envolvida no esquema de superfaturamento de ambulâncias. Na entrevista, os Vedoin comprometeriam José Serra, então candidato ao governo de São Paulo, com o esquema.O ex-assessor também negou ter usado um "celular seguro", em nome de Ana Paula Vieira, de onde fez ligações para Gedimar e outros integrantes da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não conheço Ana Paula e não usei nenhum telefone seguro", disse. A exemplo de outros petistas que falaram à CPI, Lacerda disse que tinha sido informado que o empresário Abel Pereira, ligado ao ex-ministro tucano Barjas Negri, estaria tentando comprar o silêncio dos Vedoin."A informação que tive é que os Vedoin tinham cheques para Abel. E esses cheques teriam sido utilizados no passado para pagar restos de campanha do então candidato do PSDB à Presidência da República José Serra", contou o ex-assessor de Mercadante.Choro em depoimentoNo final de seu depoimento, que durou cerca de duas horas, Lacerda chorou, diante da intervenção do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Na hora de fazer suas perguntas ao ex-assessor de Mercadante, Suplicy fez uma longa explanação sobre a trajetória de Lacerda como militante petista e lembrou episódios vividos nas campanhas do PT em São Paulo.Emocionado, Lacerda tomou como mote o discurso de Suplicy para ensaiar sua defesa. "A idéia não era pegar uma denúncia qualquer. Era cavar um espaço para um furo de reportagem. Fiz uma ação como militante, como dirigente partidário", disse Hamilton.Suplicy não escondeu sua insatisfação com as explicações de Lacerda. "Tenho convicção de que essa história será desvendada mais cedo ou mais tarde. Que mágica é essa que faz com que o material de campanha que o senhor diz ter entregue para o Gedimar suma e em seu lugar apareça o dinheiro? Estou transmitindo um estado de espírito geral", indagou Suplicy. "Erros todos nós cometemos, mas procuro aprender com os meus erros."ContradiçãoO sub-relator da CPI, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) afirmou que Lacerda entrou em contradição. Segundo ele, uma perícia feita pelo perito da Unicamp Ricardo Molina apontou que a mala carregada por Hamilton Lacerda comportaria aproximadamente 40 mil boletos. No entanto, o depoente disse que na mala haveria apenas 5 mil boletos. Hamilton Lacerda respondeu que a mala também continha material de campanha.Com Agência Câmara

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