Lacerda diz que já se explicou e pede à CPI para não depor

Irritado, Itagiba avisa que, se ele não comparecer, vai tentar indiciá-lo por falso testemunho

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

08 de abril de 2009 | 00h00

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-diretor da Polícia Federal Paulo Lacerda encaminhou ontem à CPI dos Grampos, na Câmara, carta na qual pede que seu depoimento, marcado para a próxima quarta-feira, seja cancelado. No documento, lido pelo presidente da comissão, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), ele argumenta já ter prestado esclarecimentos à CPI no ano passado. Acompanhe online o depoimento do delegado Versões de Protógenes sobre a Satiagraha Entenda a Operação Satiagraha "Já prestei dois depoimentos a esta CPI, além de ter encaminhado documento de 90 páginas ao relator Nelson Pellegrino (PT-BA)", afirmou Lacerda, no texto. Hoje adido policial em Portugal, ele solicita que, se a comissão não concordar em cancelar o depoimento, seja ouvido por meio de carta rogatória, sem a necessidade de comparecer ao Congresso.Inicialmente, o depoimento do ex-diretor da Abin deveria ocorrer hoje, mas foi adiado a pedido dele próprio. "Ele estava informado da data, pediu adiamento e agora usa uma terceira escusa para não comparecer", disse Itagiba, irritado. "Esta comissão teve essa condescendência e parece que ele não tem a mesma conosco."Os membros do colegiado resolveram definir hoje, após o depoimento do delegado Protógenes Queiroz, às 14 horas, qual procedimento vão adotar em relação a Lacerda. O presidente da CPI avisou que, se o ex-diretor da Abin e da PF não prestar novo depoimento, vai manter seu voto em separado sugerindo que seja indiciado por crime de falso testemunho.Itagiba mandou um recado aos deputados e senadores, a maior parte do PSOL, ligados a Protógenes: pretende manter o pedido de indiciamento do ex-chefe da Operação Satiagraha, caso o delegado volte a prestar "informações inverídicas". Protógenes depõe hoje, amparado por habeas corpus que lhe garante o direito de ficar calado.AUTONOMIAOntem foi a vez de o ex-diretor de Inteligência da PF Renato Porciúncula, ex-assessor especial de Lacerda na Abin, prestar depoimento à CPI. Ele negou qualquer participação na Operação Satiagraha.Apesar de ser um dos superiores diretos de Protógenes no início da operação que investigou o banqueiro Daniel Dantas, Porciúncula disse que o chefe do inquérito tinha "autonomia" para conduzir a operação."Não existe vínculo técnico com a chefia. Existe vínculo administrativo. Muitos dos atos praticados pela autoridade policial no decorrer da investigação não passam pelo crivo da chefia administrativa", disse.O depoimento foi recheado de negativas. Porciúncula apenas confirmou que, a pedido de Lacerda, esteve com o ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) Francisco Ambrósio, em março, para apurar a acusação de que o ex-araponga seria responsável por grampos clandestinos.

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